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Sobre as relações humanas na clínica de pequenos animais

 

Desde quando optei pela Medicina Veterinária sabia que teria dificuldades para lidar com a morte e com o sofrimento. Cheguei até a pensar em desistir no quarto ano de faculdade, quando iniciaram as aulas de técnica cirúrgica. Nunca aceitei que, para o nosso aprendizado, alguns animais eram destinados à eutanásia. Para mim, todo e qualquer animal é realmente um ser especial e com direito à vida. Aquilo de certa forma me feria. Mas segui em frente.

Devido a preocupação e importância que sempre tive com o relacionamento que desenvolvemos com nossos animais e pacientes, dediquei meu trabalho de conclusão de curso, em novembro de 2003, para esse assunto: a morte dos animais de companhia na clínica de pequenos animais. Não aprendemos na faculdade a lidar com as emoções humanas e com as nossas emoções. No decorrer da profissão passamos por muitas situações e momentos difíceis. Lidamos com a vida, com o amor dos donos por seus cães, e um dia eles se vão – sejam novos ou velhinhos. Na rotina da clínica muitas vezes não temos tempo de superar cada perda, cada história, cada final triste. E poder falar sobre isso acredito que seja uma maneira de exteriorizar o que me angustia.

Nesse últimos meses tivemos muitas perdas em nossa clínica – todos pacientes idosos e com doenças crônicas. Nessa fase final, acabamos nos aproximando mais de nossos clientes e pacientes, estreitamos laços de amizade, carinho e solidariedade. Lidar com a morte não é nada fácil. Lembro que no primeiro post desse blog falava justamente da dificuldade em lidar com o sofrimento e com a dor nessa fase final e, principalmente, saber se chegou o momento de decidir pela eutanásia. Tenho alguns critérios de avaliação que compartilho com o proprietário para ajudar na decisão. Mas cada caso tem suas particularidades e deve ser analisado de maneira individual. A eutanásia por conveniência é desencorajada e o bem estar do animal é colocado sempre como prioridade.

Há quem diga que por amar tanto os animais nunca faria veterinária. Muito se engana quem pensa que amamos menos, que sentimos menos e que por sermos veterinários nos acostumamos com as perdas. Apenas aprendemos a lidar com tudo isso, para continuarmos a trabalhar com o que mais amamos: os animais.

Devido a licença maternidade da minha sócia e outros contratempos  (incluindo minha dedicação ao meu Manolinho que, atualmente, está muito bem) fiquei muito tempo sem escrever. Há tempos andava angustiada e acredito que foi um acúmulo de emoções. Aquelas emoções diárias que vão se juntando a cada dia de trabalho. Uma vez uma colega de faculdade disse que não tinha tempo para sofrer por cada animal que partia, então ela acumulava essa tristeza e sofria de uma vez. Talvez seja mais ou menos assim, nossa vida sempre corrida não permite que a gente pare para lidar e superar cada perda. E dessa vez acumulei todas elas dentro de mim. E ainda me sinto triste pelas vidinhas interrompidas nos últimos meses.

Gordo - o beagle da Katia e do Claudio

Gordo – o beagle da Katia e do Claudio

Porém, sou muito grata por ter compartilhado, junto com cada amigo proprietário, tantas histórias lindas de dedicação e amor incondicional. Dentro das possibilidades e condições financeiras e emocionais de cada um, tenho orgulho em dizer que todos os nossos clientes fizeram o melhor para o seu animal. Nossos pacientes tiveram todo o amor, cuidado e dedicação que mereciam graças a tutores realmente excepcionais. E partiram deixando saudades e lindas histórias de um amor sem fim. Agradeço pela confiança e carinho, e principalmente por cuidar tão bem do seu melhor amigo – Gordo, Beagle, 12 anos da Katia, Claudio e Mark; Princesa, SRD, 16 anos da Marizete; Atena, Labrador, 16 anos do Sr. Manuel; Suzi, Poodle, 13 anos da Maria Cristina, Zahra, Beagle, 11 anos da Eunice; Dindinha, maltês, 11 anos da Maria Edna; Mel, Persa, 5 anos da Michelle e Marrie, SRD, 14 anos da Mara e Renato. Obrigada por confiarem seus melhores amigos aos nossos cuidados. Foi uma honra poder cuidar de cada um.

 

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As boas novas

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Há tempos não passo por aqui e algumas pessoas me escreveram pedindo notícias do meu Manolinho. Isso me deixa muito feliz e me sinto na obrigação de contar para vocês como estamos. 2013 não foi um ano fácil, mas não diria de forma alguma que foi um ano ruim. Meu pai sofreu um acidente de carro em dezembro de 2012 e como consequência teve lesão medular, ficou uma semana na UTI e um mês internado. Eu e minha família tivemos que nos adaptar a uma nova rotina cheia de cuidados, preocupação, muita gente em casa e muitas noites sem dormir. Meu pai é um guerreiro e com toda sua dedicação e força de vontade segue se recuperando muito bem.

Em fevereiro diagnostiquei meu Manolo com diabetes e os cuidados foram triplicados. Desde então, passo algumas horas na cozinha preparando sua alimentação e tantas outras estudando maneiras de mantê-lo sempre com saúde. Sempre dei importância para a alimentação e o Manolo me tornou adepta e fã da comida caseira também para os cães. Fiz alguns cursos sobre alimentação e medicina preventiva e enriqueci meu conhecimento graças ao meu ex gordinho.

No início do tratamento o peso do Manolo era 14,6kg e administrava 7 unidades de insulina a cada 12 horas. Hoje, ele pesa aproximadamente 11,6kg e usa 1,5 unidade de insulina a cada 12 horas. Ele come comida caseira 3 vezes ao dia e a rotina dele é mais ou menos dessa forma:

8h: 1/4 refeição diária + 1,5 unidade de insulina e em seguida um Pet Palito Zero ou um pedaço de maçã

12h: 1/4 refeição diária

Tarde: um palito/beiju (para roer)

20h: 1/2 refeição + 1,5 unidade de insulina + 1 castanha do Pará

Sei que muitos colegas não indicam petiscos e frutas para cães diabéticos, mas como sou veterinária e proprietária muito zelosa controlo sempre a glicemia dele. Só por isso “saio um pouco da linha”. É importante dizer que todas as vezes que tento acrescentar algo diferente na dieta controlo a glicemia com maior frequência.

Desde o ano passado ele já passou por dois procedimentos cirúrgicos simples com anestesia geral e não teve problema algum. Felizmente também não teve alteração na visão, o que me deixa extremamente feliz! Entretanto, continua “roubando” comida e tirando o meu sossego. Mas quando ele está bem me devolve o sossego e enche meu coração de alegria.

A última novidade é que no final do ano o Manolo e a Lolita ganharam uma irmãzinha nova – a Amora. Adotei a pequena em novembro de 2013 quando ainda tinha pouquíssima chance de sobrevida. Ela ficou internada por quase duas semanas no INVET e graças aos meus colegas Juliana e Danilo se recuperou bravamente de um quadro gravíssimo de insuficiência renal aguda. Eu acreditei nela e todos os dias ela me mostra o quanto valeu à pena. O Manolo nem liga para a Amora e continua vivendo num mundinho só dele, mas com a Lola (e com meu sobrinho Pedro) ela brinca o dia todo.

A Amora veio num momento em que realmente não precisava (e nem gostaria) de cuidar de mais ninguém. Tenho mais sujeira para limpar, mais gastos, mais cuidados, mais comida para fazer e mais preocupação. Em contrapartida tenho mais amor, mais orgulho, mais satisfação, mais emoção e mais alegria nos meus dias. A Amora se tornou meu “pequeno milagre”. Por tudo isso posso dizer que 2013 foi, sim, um ano muito especial. Tive amor de sobra, pessoas especiais ao meu lado e muitos motivos para comemorar!

Amora ainda internada, em novembro de 2013

Amora ainda internada – novembro de 2013


Amora - janeiro de 2014

Amora – janeiro de 2014

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Meu Manolo e a Diabetes

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Há sete dias diagnostiquei meu Manolo com Diabetes. Ele chegou em casa ainda filhote, contra a vontade da minha família, há nove anos. Naquele dia, ganhei meu melhor amigo, aquele que estaria perto de mim sempre.

Quando filhote, Manolinho aprontou muito – roeu fio de telefone, o pé de todas as cadeiras, espalhou papel higiênico (sujo) pela casa toda, fugiu algumas vezes e quase matou a gente do coração. A comida sempre foi sua perdição. Ele é um verdadeiro ladrão de comida. Conseguia abrir o forno e a geladeira e já me fez chorar inúmeras vezes de tanta preocupação. Mas, felizmente, seu estômago condiz com sua falta de educação em roubar alimentos. Ele já pegou de tudo, desde uma caixa de bombom de rum (presente de páscoa da minha Tia Magali), que estava na geladeira, até uma travessa de vidro com abobrinha que ele derrubou da pia. Isso sem falar nos bolos, rabanada (que minha mãe tinha feito para o Natal), pote de manteiga, carnes e ossos de todos os tipos e tamanhos (esses que me causaram a maior preocupação), entre tantas outras coisas.

Fora isso, meu guloso é supercovarde para injeções. Quem já me ajudou sabe bem o que estou falando. Ele chora, uiva e não gosta que o segure. E ele é forte o bastante para tornar tudo ainda mais difícil. Quando soube que ele era diabético e teria que tomar duas injeções por dias por toda a vida, fiquei arrasada. Além de não querer ver meu pequeno cheio de privações e com horários rígidos para comer, sabia o quanto a injeção o deixava aflito.

Animais diabéticos devem seguir uma rotina, comer o alimento certo na hora certa e tomar as injeções de insulina duas vezes ao dia. E, confesso, fiquei desesperada com tudo isso! Cuido de diversos bichinhos ao longo da semana, mas acredito que nenhum veterinário goste muito de tratar de seu próprio animal. Parece que a gente “emburrece”, fica desesperada por tudo porque prevê o que pode acontecer. E nessa hora recorro as minhas queridas amigas (obrigada por tudo, Thais, Dé e Ju!!).

Hoje, a rotina de meu Manolo é a seguinte:
8h: comida e insulina
12h: comida
20h: comida e insulina (além de outras medicações que ele toma via oral)

A comida é a hora mais feliz! Ele adora sua nova dieta. Há duas opções no caso de cães diabéticos: ração especial (a mais prática) ou dieta caseira. Como ele não gostou da primeira decidi pela comida. Teria mais trabalho, mas o deixaria mais satisfeito. Ele merece isso. Desde então, cozinho para o meu Manolinho. Ele ama a comida que a Dra. Carol Haddad gentilmente me recomendou.

Dieta do meu Manolo: arroz, vagem, lentilha, cenoura, peito de frango e fígado

Dieta do meu Manolo: arroz, vagem, lentilha, cenoura, peito de frango e fígado

Há uma semana iniciamos o tratamento e felizmente caminhamos muito bem. Para minha surpresa, desde o primeiro dia da injeção, meu Manolo não reclamou nenhuma vez. Não sei se ele está com “pena de mim” ou se tem certo entendimento de que estou fazendo o bem, já que tudo o que eu mais quero é que ele viva bem e feliz, pelo tempo que for. Como forma de consolo, meus colegas falam que ele ainda vai viver muitos anos, mas o que eu realmente desejo é que ele viva bem e com saúde, seja por muitos ou por poucos anos.

Meu Manolinho merece o melhor de mim e terá!

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Dicas para um verão saudável

Um anjo chamado Lasch

Um anjo chamado Lasch

O verão ainda nem chegou e nossos bichinhos já estão sofrendo com o calor. No mês que passou perdemos dois pacientes com suspeita de ensolação. Um muito querido e extremamente bem cuidado pelo seu melhor amigo Marcel – o guerreiro Labrador Lasch.

Margarida ainda bebê

Margarida ainda bebê

Nessa semana a linda Margarida, uma buldogue de menos de um ano de idade teve uma síncope durante um passeio. Não estava sol e ela estava acostumada com o trajeto. Margarida fez exames recentes, é uma cachorrinha muito saudável e também pode ter se sentido mal pelo calor. Cães braquicefálicos, ou seja, de focinho curto apresentam mais problemas respiratórios e, por isso, o cuidado deve ser redobrado nessas épocas do ano.

Com os meus cães, opto por passear até às 8 da manhã e após às 18h. Velhinhos e debilitados devem evitar os dias quentes de sol para passear. Aos que fazem suas necessidades apenas na rua e precisam sair várias vezes, que seja uma voltinha bem rápida!

Os cães costumam ser sempre ofegantes durante os passeios e por isso mesmo corremos o risco de não perceber se estão muito cansados.

Mesmo àqueles acostumados a longas caminhadas, recomendo um trajeto menor nos dias de calor. Não esqueçam de levar a garrafinha de água e façam pequenas pausas para observar o animal.

Deixar nosso amigo esperando no carro de jeito nenhum! Podemos ter uma péssima e desagradável surpresa. Com relação aos banhos em pet, prefiro também que evitem os períodos quentes do dia. Para muitos, o banho é estressante. E o estresse com o calor pode não ser uma boa combinação. Aos proprietários de animais de pelo longo, pensem no conforto e tosem seu amigo.

Para finalizar, ressalto a importância de prevenir seu cão e gato contra pulgas e carrapatos, ainda mais comum nos períodos quentes do ano. Costumo passar antipulga a cada 30 dias nos meus cães, e mesmo assim, achei uma pulga na minha Lolita durante o banho na semana passada. Portanto, acreditem, mesmo que vocês não vejam as pulgas, elas existem!

Deixem sempre água fresquinha para o seu pet. Meu Manolo ama  água de côco e pedrinhas de gêlo na água!

Ah, e não esqueçam dos cães e gatos de rua. Sempre que possível ofereça água a um animal… e um pouquinho de comida também 🙂

Manolo em Gonçalves

Manolo em Gonçalves

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A História da Vitória

Segunda feira dessa semana a Vitória cruzou o meu caminho. Estava quase chegando no Cobasi quando reparei numa cachorrinha mancando e aparentemente sozinha na Radial Leste.
Ao entrar na loja dei de cara com ela, que não estava sozinha mas acompanhada da sua Vicentina. As duas estavam bem perdidas na porta da loja, quando perguntei a Vicentina se aquela cadelinha era dela. Vicentina perguntou se tinha veterinário na loja e eu me apresentei como tal.
Ela pediu ajuda pois queria castrá-la. Vitória é moradora de rua, pariu recentemente alguns filhotinhos e desde então é alimentada por algumas pessoas.
Vicentina mora a uma quadra de onde fica a Vitória, mas pelo o que me disse reside num quarto alugado e nunca pôde deixá-la entrar.
Vitória foi castrada no mesmo dia, Vicentina se despediu e disse que voltaria depois. A verdade é que fiquei com receio dela não voltar e abandoná-lá comigo, o que me causaria um grande e conhecido problema. Já confiei em bastante gente e me dei mal algumas vezes. Mas como sempre digo, se não vale a pena pela pessoa sempre vale pelo bicho.
Vicentina voltou ansiosa no final do dia. Vitória já estava ótima e a sua espera! Voltaram de carona, e na mesma noite Vicentina disse ter entrado escondida dentro de casa, não teve coragem de deixar a Vitória dormir na rua.
Hoje a garota já chegou de coleira. Perguntei se gostaria que ajudasse a encontrar um dono, mas Vicentina prefere mesmo conseguir outro canto para morar. Assim poderá levar a sua Vitória. E dessa vez tudo está valendo à pena e enchendo meu coração de alegria!

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Vitória

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Minhas boas notícias

Após tantos pedidos de ajuda, que certamente continuarão, escrevo esse post com boas notícias sobre os cães de um dos abrigos que o Projeto Cão sem Fome ajuda.

Em janeiro desse ano estive pela primeira vez no abrigo e uma cadelinha me chamou mais atenção, a danada da Belinha. Entre tantos cães que pediam carinho e bifinho, a Belinha pedia colo. Naquela época ela ainda estava com seus 3 filhotes, magrinha de dar dó. No mesmo dia os bebês foram levados para adoção, e tudo o que soube é que a Belinha ficou triste, muito triste.

Belinha ainda no abrigo

Retornei ao abrigo no mês seguinte, e desde então a Belinha nunca mais saiu da minha cabeça. Nesse dia fiquei trabalhando sentada porque estava com o pé machucado, a danadinha não perdeu a oprotunidade de pular no meu colo e ficou lá quetinha todo o tempo que pôde. Fui embora com o coração na mão. Aquela cachorrinha era tão especial!

Em junho perdemos uma paciente, a Tiffany. A história dela foi contada nesse blog. Dias após seus donos manifestaram o desejo em adotar um cachorrinho, e em poucos dias a Belinha já estava na clínica comigo, recebendo cuidado intensivo para ir para sua nova casa. Enfim, minha princesinha foi adotada!

Belinha na sua nova casa

Uma semana após a Belinha ir para casa, veio então a Lilica para ficar conosco na clínica. A pequena chegou no abrigo depois das minhas visitas e eu ainda não a conhecia. Soube dela quando a Glaucia trouxe a Belinha e me disse que a Lilica saiu correndo atrás do carro quando sua amiga partiu. Mais uma vez, e para variar, fiquei com o coração na mão. A pequena ficou conosco um mês e graças a divulgação de amigos pelo facebook, ela também ganhou uma casa nova!

A Lilica foi adotada na semana passada e ainda não a reencontrei. A Belinha vai toda sexta passar o dia comigo e cada encontro é uma emoção. Nem sei explicar o quanto isso me faz feliz!

Ricardo e sua Lilica

No quintal da Dona Cecília as coisas vão caminhando. As obras estão na reta final, mas o Projeto ainda precisa de ajuda. Dois canis estão prontos e 3 em fase de acabamento. É preciso fazer uma limpeza no terreno, que além do entulho acumulado está cheio de lixo e mato, o que atrai insetos, ratos, etc.

O Cão sem Fome completou um ano no mês passado. Pela informação que tenho da Glaucia, coordenadora do Projeto, é que desde quando começou a ajudar esses dois quintais, foram consumidas 9 toneladas de ração. No início 300kg de ração alimentavam 36 cães. Atualmente 120 animais são atendidos e consomem uma tonelada de ração por mês.

Com relação aos cuidados veterinários, 90% dos cães estão castrados, vacinados contra Raiva e V8 e vermifugados a cada 6 meses. No ano passado 15 animais morreram por doenças e nesse ano apenas 3, desconsiderando os que foram mortos pelos vizinhos quando escaparam pelo portão improvisado. Tivemos 22 adoções e 12 castrações.

Esses números me mostram que mesmo acreditando que ainda fazemos pouco, na verdade pouco é muito para quem não tem nada. O Projeto não é meu e todo mérito é da Glaucia, que dedica o pouco do seu tempo livre de maneira tão especial. Sou apenas uma colaboradora com muita honra, e só posso fazer esse trabalho porque tenho a ajuda de amigos de verdade.

Obrigada Mariana Yukari e Vivian Calderelli, pela boa vontade, preocupação e disposição nas visitas ao abrigo. Obrigada Juliana Didiano, pela parceria de todos os dias.

Esses animais ainda precisam de ajuda e por isso conto, mais uma vez, com a colaboração de todos vocês!

Meus beijos, abraços e meu muito obrigada!!!

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Um dia triste, outros felizes

Há 4 dias a Tiffany nos deixou. Conheci a “ferinha” no dia 8 de maio. Ela chegou à clínica com aquela carinha de quem pede carinho, mas logo fui avisada por seus “donos” que era melhor ter cuidado com ela. A danadinha era brava mesmo!

Durante a internação ela mordeu cada uma de nós. Meu dedo, a mão da Ju (minha sócia) e a mão da Mari (nossa plantonista). Como somos insistentes e não nos ofendemos com isso, continuamos nos aproximando e interagindo cada vez mais com Tiffany. E em poucos dias nos afeiçoamos a ela. Aquela cadelinha conseguiu nos conquistar!

Tiffany era portadora de uma doença grave, uma anemia crônica, e por isso foi submetida a quatro transfusões de sangue. Tomava uma série de medicamentos, não se alimentava direito e por esses motivos ficava conosco na clínica diariamente. Voltava para casa apenas para passar a noite, já que nossa clínica não funciona como 24 horas. Júlio, Carina e Carla, seus melhores amigos, nunca reclamaram de nada. Sempre foram extremamente carinhosos com a pequena e muito otimistas. E a “garota” reconhecia tudo isso, era evidente.

Na última sexta-feira, dia 1, ela passou mal na madrugada e ficou internada num hospital veterinário. E no domingo, estava trabalhando quando recebi um telefonema do Júlio sobre o falecimento da Tiffany. Não tive tempo para processar a notícia, mas no fundo eu já sabia do risco – o caso dela era realmente muito grave.

Meu plantão de domingo foi corrido, com muitos atendimentos e algumas emergências. Mas voltei a pensar nela quando cheguei em casa. Fiquei triste como sempre, mas não chorei (coisa rara. Minha colega Ju sabe bem disso…). Cheguei até a pensar: ” Acho que estou conseguindo lidar melhor com essas perdas… Que bom!”.

No dia seguinte o Julio e a Carina vieram nos visitar. Se a Tiffany estivesse viva viria nos receber com a cabecinha baixa e o “cotoco” do rabo balançando sem parar. E aí descobri que no dia anterior estava apenas cansada e atarefada demais, por isso não tinha “processado” a perda da Tiffany. Mas ao encontrá-los desabei e continuo angustiada pela perda da pequena.

Quando ainda era estudante, uma das minhas melhores amigas da faculdade trabalhava com proteção animal e freqüentemente nos relatava histórias trágicas e tristes. Ela me dizia que acumulava sofrimento para então sofrer de uma vez, porque a rotina não a deixava parar e ficar deprimida. Parece racional demais, mas não deixa de ser verdade. Aconteceu comigo e sem querer. Chorei pela Tiffany, pela querida Beja e por tantos outros que nos deixaram.

E assim vamos colecionando historias tristes e outras muito felizes. A Tiffany viveu por 10 anos graças ao amor e cuidado dos seus donos. A gatinha Beja teve sempre por perto proprietários dedicados e amorosos, que estiveram com ela até o fim. E mesmo que elas não estejam mais conosco, proporcionaram muitos momentos de alegria.

E a história da Tiffany e da Beja, foram sim histórias muito felizes. E minha maior alegria foi saber que os proprietários da Tiffany querem um novo amigo, um cãozinho de muita sorte que será adotado. E essa será mais uma história de um cãozinho muito, mas muito feliz!

A gatinha Beja

 

 

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