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Um dia triste, outros felizes

Há 4 dias a Tiffany nos deixou. Conheci a “ferinha” no dia 8 de maio. Ela chegou à clínica com aquela carinha de quem pede carinho, mas logo fui avisada por seus “donos” que era melhor ter cuidado com ela. A danadinha era brava mesmo!

Durante a internação ela mordeu cada uma de nós. Meu dedo, a mão da Ju (minha sócia) e a mão da Mari (nossa plantonista). Como somos insistentes e não nos ofendemos com isso, continuamos nos aproximando e interagindo cada vez mais com Tiffany. E em poucos dias nos afeiçoamos a ela. Aquela cadelinha conseguiu nos conquistar!

Tiffany era portadora de uma doença grave, uma anemia crônica, e por isso foi submetida a quatro transfusões de sangue. Tomava uma série de medicamentos, não se alimentava direito e por esses motivos ficava conosco na clínica diariamente. Voltava para casa apenas para passar a noite, já que nossa clínica não funciona como 24 horas. Júlio, Carina e Carla, seus melhores amigos, nunca reclamaram de nada. Sempre foram extremamente carinhosos com a pequena e muito otimistas. E a “garota” reconhecia tudo isso, era evidente.

Na última sexta-feira, dia 1, ela passou mal na madrugada e ficou internada num hospital veterinário. E no domingo, estava trabalhando quando recebi um telefonema do Júlio sobre o falecimento da Tiffany. Não tive tempo para processar a notícia, mas no fundo eu já sabia do risco – o caso dela era realmente muito grave.

Meu plantão de domingo foi corrido, com muitos atendimentos e algumas emergências. Mas voltei a pensar nela quando cheguei em casa. Fiquei triste como sempre, mas não chorei (coisa rara. Minha colega Ju sabe bem disso…). Cheguei até a pensar: ” Acho que estou conseguindo lidar melhor com essas perdas… Que bom!”.

No dia seguinte o Julio e a Carina vieram nos visitar. Se a Tiffany estivesse viva viria nos receber com a cabecinha baixa e o “cotoco” do rabo balançando sem parar. E aí descobri que no dia anterior estava apenas cansada e atarefada demais, por isso não tinha “processado” a perda da Tiffany. Mas ao encontrá-los desabei e continuo angustiada pela perda da pequena.

Quando ainda era estudante, uma das minhas melhores amigas da faculdade trabalhava com proteção animal e freqüentemente nos relatava histórias trágicas e tristes. Ela me dizia que acumulava sofrimento para então sofrer de uma vez, porque a rotina não a deixava parar e ficar deprimida. Parece racional demais, mas não deixa de ser verdade. Aconteceu comigo e sem querer. Chorei pela Tiffany, pela querida Beja e por tantos outros que nos deixaram.

E assim vamos colecionando historias tristes e outras muito felizes. A Tiffany viveu por 10 anos graças ao amor e cuidado dos seus donos. A gatinha Beja teve sempre por perto proprietários dedicados e amorosos, que estiveram com ela até o fim. E mesmo que elas não estejam mais conosco, proporcionaram muitos momentos de alegria.

E a história da Tiffany e da Beja, foram sim histórias muito felizes. E minha maior alegria foi saber que os proprietários da Tiffany querem um novo amigo, um cãozinho de muita sorte que será adotado. E essa será mais uma história de um cãozinho muito, mas muito feliz!

A gatinha Beja

 

 

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Inverno aquecido no Projeto Cão sem Fome

Com a chegada do inverno, a preocupação com os animais do quintal da Dona Cecília aumenta. Claro, que muita coisa melhorou por lá: alguns cães que estavam doentes se curaram e conseguimos vacinar e vermifugar todos os animais. Além disso, o projeto recebeu doação de materias de construção para a obra do canil. Mas o Projeto Cão sem Fome continua na batalha para conseguir melhorar, ainda mais, a qualidade de vida dos animais que lá vivem. E com o frio, mantas e cobertores são bem-vindos!

Assim, neste mês acontecerá o bazar do dia das mães. Aproveite para organizar e limpar os armários. Eu adoro fazer isso e sempre encontro um monte de coisa parada sem utilidade. O que não serve mais para a gente pode ser muito útil para outras pessoas, portanto, quem puder e quiser revire os armários de casa! Os produtos arrecadados (roupas, bolsas, sapatos, eletrodomésticos, utensílios de cozinha, brinquedos,etc) serão vendidos e toda a renda revertida aos cuidados dos animais.

Outra maneira de ajudar é comprando algum dos produtos do Projeto. Basta entrar na página do Cão sem Fome, clicar na opção lojinha virtual, escolher o item que gostar e comprar! Você ajuda comprando uma mantinha para o seu animal, por exemplo.

Desde já, agradeço a todos os interessados em nos ajudar, seja com doações ou compra de produtos, seja compartilhando nossas informações com os amigos.

Ah, eu ainda não comprei mas vou providenciar hoje mesmo a mantinha para meu Manolo e minha Lolita.

Beijos e abraços!

Tatti

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Adoção: as responsabilidades de cada um

Luc

Muitas pessoas procuram ONGs para encontrar um novo animal de estimação. Mas antes da adoção é preciso ter em mente que nem todos os abrigos possuem infraestrutura suficiente para cuidar da saúde de todos os animais. Muitos são carentes de recursos básicos, como comida e higiene.

O abrigo da Dona Cecília, que faz parte do projeto Cão sem Fome,  não tem condições financeiras para cuidar adequadamente de todos os cães. Quando comecei a ajuda-los percebi que havia muito a ser feito, como melhorar a higiene e manejo do local, e combater os carrapatos que infectam e matam alguns animais. Isso sem falar na realização de exames e testes sorológicos para garantir a saúde completa de cada um. Mas isso depende de dinheiro e pouco pode ser feito de imediato. Conseguimos vacinar mais de 40 cães – o que já foi uma grande vitória.

Escrevo isso para mostrar que ao adotar um animal nesses locais, a pessoa deve ter plena consciência de que a ONG não tem controle de todos os animais e, por isso, não é responsável pelo que pode acontecer depois de sua saída. Esses projetos tentam melhorar a condição de vida dos animais, garantindo em primeiro lugar a alimentação. Tudo que vier a mais é uma vitória.

Por outro lado, acredito que as ONG de animais devem ser verdadeiras sempre. Elas devem, sim, alertar o futuro tutor sobre as reais possibilidades e necessidades do animal a ser adotado. Como veterinária, tenho obrigação e alerto todos os proprietários de animais recém-adquiridos (sejam adotados ou comprados), que nenhum deles está livre de doenças virais, por melhor estado que aparentem. Alguns vírus ficam incubados e podem se manifestar após alguns dias ou meses. Portanto, avaliações periódicas e exames complementares podem ser necessários em alguns casos.

Já ajudei algumas ONGs e sei que problemas com adoções são frequentes. É de inteira responsabilidade da ONG fornecer todas as informações sobre o animal que está sendo doado, como seu temperamento com pessoas e outros cães, traumas vivenciados, doenças anteriores, tratamentos realizados, data e carteira de vacinação, entre outras informações que possam ser úteis ao tutor. Aos proprietários que já têm outro animal, é imprescindível que saibam se existe algum risco para o contactante.

Vale saber, ao adotar, que cães vacinados têm pouquíssima chance de ser infectados por doenças como a cinomose e parvovirose (doenças virais altamente letais). Já no caso dos felinos, existem doenças graves como a Peritonite infecciosa felina (PIF) que não tem cura e pode acometer gatos em qualquer faixa etária. Não existe vacina e o risco de transmissão é grande entre os felinos.

Mas não se esqueça que os cães latem, podem urinar e defecar fora do lugar, exigem atenção e cuidado, fazem bagunça, ficam doentes e algumas vezes destroem objetos. Os felinos miam, podem arranhar móveis, cortinas e sofás, ficam doentes e precisam do nosso cuidado. Portanto, nenhum dos itens citados acima é motivo de abandono e devolução. Um animal não é objeto e precisa ser cuidado e amado por toda suaa vida. O abandono causa trauma emocional e, para mim, é um ato de crueldade.

Não compre e nem adote um animal por impulso. Se ficar doente, cuide. Quando envelhecer, continue ao seu lado. Eles merecem amor, cuidado e respeito!

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Vivendo, lendo e aprendendo

Estou relendo o livro “O encantador de cães“, de César Milan, presente do querido amigo veterinário Carlos Alberto. O autor se descreve como treinador de cães e pessoas porque muitas vezes os problemas que acreditamos ser dos nossos animais são, na verdade, nossos.

Segundo Milan, uma das principais formas de nos comunicar com nossos bichos é por meio da energia. Eles conseguem captar nossas emoções e, de acordo com nosso estado emocional, podem apresentar comportamentos diversos. O autor afirma que um cão deve ter um líder para seguir. Caso contrário, toma o posto do líder da matilha.

O livro nos ensina a enxergar os cães de outra maneira. Pela segunda vez pensei que um cachorro de rua pode não ser tão infeliz como sempre imaginei. Isso me confortou.

A primeira vez que isso me passou pela cabeça foi quando conheci a União Internacional Protetora dos Animais (UIPA). Há cerca de quatro anos trabalhei em alguns plantões na clínica veterinária da UIPA e fiquei arrasada ao ver tantos animais juntos. Cheguei a pensar se não seria melhor que estivessem em liberdade. Mas sei que a liberdade em alguns casos pode ter um preço alto, como a fome, os maus tratos e a falta de abrigo.

Voltando ao livro, acredito que todos os proprietários de cães deveriam lê-lo. Mesmo sendo veterinária e conhecendo um pouco o comportamento canino, constatei que como proprietária faço muitas coisas erradas. Um cão precisa de educação e comando, não apenas de carinho.

Um hábito comum – e errado – que adotamos com animais que temem barulho de fogos ou chuva é acariciar e acolher nosso pet nessas situações. Com isso, condicionamos e incentivamos o medo e a insegurança, quando na verdade deveríamos transmitir o contrário.

Como veterinária, lido diariamente com cães e gatos de diferentes temperamentos. Acredito plenamente na troca de energia como forma de comunicação. Os animais conseguem captar o medo e a insegurança, assim como a confiança e o amor. Alguns proprietários amam tanto seus animais que mal conseguem vê-los recebendo uma vacina. Na maioria das vezes, esses pets  ficam muito mais calmos quando seus donos não estão por perto. Já outras pessoas transmitem tanta segurança aos seus cães e gatos que tudo fica mais fácil quando estão juntos.

Desenvolvemos cada vez mais uma ligação especial com nossos animais e podemos melhorar muito esse relacionamento ao compreendê-los melhor. Um animal de companhia é, sim, um tesouro a ser protegido e amado. Mas que também precisa de educação e diversão.

Aproveitem a dica e boa leitura! Escrevam para mim depois para contar o que acharam.

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A hora do banho

O banho dos pets é sempre prazeroso para nós, que adoramos ver nossos cães e gatos cheirosos e com pelos macios. Assim ficamos mais à vontade para enchê-los de carinho! Mas alguns cuidados devem ser tomados para garantir a tranquilidade e o bem estar dos nossos animais, pois o banho deve atender às necessidades deles e não apenas as nossas.

Banho em pet shops

É importante escolher muito bem o estabelecimento, prestar atenção na higiene do ambiente e, principalmente, na maneira que os profissionais cuidam dos nossos bichos. Para gatos, é preferível que o local seja tranquilo e de preferência isolado dos cães.

Banho em casa

Para animais mais tranquilos e donos cautelosos, também é possível dar um bom banho em casa. Se esta for sua opção, é preciso seguir algumas orientações para que o banho caseiro não traga nenhum problema de saúde para o animal.

A frequência do banho vai depender do porte, espécie, raça e atividade do animal.

Os gatos são muito limpos e tem o hábito de se limpar diariamente com um verdadeiro “banho de língua”. Com isso, conseguem manter os pelos sempre bonitos e remover sua sujeira.  Para gatos mais tranquilos indico um banho por mês. Caso isso seja muito estressante para o felino, prefiro diminuir a frequência de acordo com a aceitação de cada um.

Para cães que passeiam pelas ruas diariamente e ficam dentro de casa, tendo acesso a camas e sofás, indico um banho por semana. Para os demais, sugiro banhos quinzenais. Animais com problemas de pele exigem um cuidado maior e a frequência do banho deve ser estipulada pelo veterinário. Alguns necessitam de dois ou três banhos por semana.

Para animais com a pele saudável, opto pelos xampus neutros da linha veterinária. Gosto muito do Allercalm e do Dermogen. Não recomendo o uso frequente de xampus terapêuticos (antibactericidas, antifúngicos, etc.) para os saudáveis, pois podem tirar a proteção natural da pele. Para a região dos olhos e focinho, indico para todos os animais o xampu Johnson “chega de lágrimas”.

Após o banho é importante secar todo o pelo com secador e tomar cuidado para não deixá-lo nem tão quente, nem tão próximo do animal a ponto de queimá-lo.  Para animais alérgicos, usar o secador com vento frio é a melhor opção, mas nunca em dias frios!

Além do banho

Outros cuidados com a higiene devem ser tomados, tais como: limpeza das orelhas com produtos otológicos específicos, escovação dos animais com pelagem longa, vermifugação a cada seis meses, prevenção de pulgas e carrapatos e limpeza diária da caixa sanitária (para gatos) e do ambiente.

Lembre-se que os cães e gatos têm o olfato muito mais aguçado do que o nosso. O que pode ser cheiroso para a gente pode ser extremamente desagradável e irritante para eles.

Esses são alguns cuidados importantes para garantir a saúde e bem estar do seu animal!

Leia também aqui a entrevista que concedi para o portal do Terra sobre cuidados com a higiene dos cães e gatos.

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Um pedido de ajuda

Hoje fui atender os animais de um dos abrigos que o Projeto Cão sem Fome ajuda, localizado no Grajaú- zona Sul de SP, depois do autódromo de Interlagos. Dona Cecília é a proprietária da casa e abriga aproximadamente 40 cães e alguns gatos.

A convite de Glaucia, organizadora do projeto, fomos examinar alguns cães doentes e vacinar outros. Eu e minha amiga veterinária Vivian Calderelli passamos algumas horas com os peludos, e embora tenhamos feito alguns atendimentos a sensação ao sair de lá foi que muito pouco fizemos. Ainda há muito a ser feito para melhorar a qualidade de vida daqueles animais.

O que tenho certeza é que não lhes falta amor e proteção. Dona Cecília sabe o que cada um gosta e no meio daquele tumulto perde alguns minutos acariciando a cabecinha de um cão carente.  Ela faz uma pausa para acariciá-lo e fala: “É disso que ele gosta!”. Não tivemos tempo para escutar a história da maioria, ou quem sabe nos protegemos de saber detalhes de uma vida triste, ora de abandono, ora de sofrimento.

A notícia boa é que depois da ajuda do Projeto Cão sem Fome, os 40 cães tem o que comer. Glaucia e toda equipe dedicam parte do seu tempo para arrecadar o mínimo para a sobrevivência daqueles queridos animais. Há aproximadamente 5 meses eles não passam fome, mas ainda precisam de cuidado médico e melhores condições para viver. Passamos algumas horas no abrigo e foi praticamente impossível não ser conquistado por tantas carinhas carentes. Alguns fazem fila para receber um cafuné, porque carinho nunca é demais!

Um dos canis em melhor condição

Alguns problemas vão além do que podemos contribuir, porque para isso precisamos realmente de verba. Embora Dona Cecília tenha um terreno grande, os canis tem piso inacabado, as portas são velhas e improvisadas, não há separação do lugar onde dormem e fazem as necessidades. E o pior de tudo é que a parte dos canis não tem sistema de esgoto. Ou seja, aquela sujeira vai toda para a rua e vários vizinhos já acionaram a prefeitura e o centro de controle de zoonoses.

Parte da frente da casa da Dona Cecília

Dona Cecília tem muito amor e boa vontade, mas não tem a menor condição de manter tantos animais. E esse problema não tem fim, porque é bastante comum pessoas “jogarem” animais pelo muro da casa. Para quem ama tanto e cuida de muitos, Dona Cecília não tem coragem de colocá-los na rua novamente.

Portanto, aos que confiam em mim, tem interesse e condições de ajudar de alguma maneira, qualquer ajuda é bem vinda. Em breve irei ao abrigo com minha irmã arquiteta para estipulamos um orçamento dessa obra, bem como o que é possível ser feito para melhorar e reestruturar o local.

Projeto aceita qualquer tipo de doação: ração, petiscos, medicamentos, xampu, desinfetante, álcool, comedouros e bebedouros, cobertores, coleiras, etc. E lógico, melhor ainda quem tiver interesse em adotar algum dos cães. Atualmente são apenas 3 filhotes (de aproximadamente 60 dias) e os demais todos adultos. A maioria é de pequeno a médio porte, entre jovens e velhinhos. A vantagem em adotar um animal adulto é que a personalidade já está formada, portanto, não há surpresas de temperamento.

Finalizando, quero fazer alguns agradecimentos especiais. Aos colegas Mario e Adriana, da empresa de medicamento Chemitec, agradeço imensamente pela doação de vermífugos, antibióticos e demais produtos que serão de extrema valia para os bichanos. Glaucia, Fernanda e sua solícita mãe, agradeço pela companhia  e por me permitir ajudá-los de alguma maneira. A minha colega e querida amiga Vivian, agradeço pela extrema boa vontade e disposição em me ajudar no dia de hoje.

Certamente meu dia foi muito mais especial!

Saiba como ajudar: http://caosemfome.blogspot.com/p/saiba-como-ajudar.html

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Acolhi um animal de rua. O que devo fazer?

Meu primeiro post de 2012 é sobre os cuidados que devem ser tomados ao acolher um animal de rua.  No primeiro contato com o cão ou gato, não há como saber como é sua índole, nem tirar outras conclusões precipitadas. Ele até pode reagir de maneira não amigável, mas isso não significa que seja agressivo. Pode estar com medo, dor ou ter sofrido algum trauma. Portanto, não deixe que a primeira (má) impressão o impeça de ajudar um animal de rua.

O ideal é levá-lo para uma consulta a fim de que o médico veterinário possa examiná-lo e dar as recomendações e prescrições corretas. Sempre peço um hemograma completo (exame de sangue), de valor acessível e fundamental para conhecer o estado geral do animal.

Não costumo aplicar vacina num primeiro momento. Sempre é melhor esperar alguns dias para colher informações importantes sobre alimentação, consistência das fezes e eventuais sintomas. Prefiro vermifugar o animal, mas sempre aviso que, caso ele tenha alguma verminose, dependendo do tipo de verme a vermifugação não é suficiente. Algumas verminoses requerem o uso de antibiótico e controle ambiental. Quando possível, um exame de fezes também é importante.

Mesmo que o animal esteja aparentemente saudável e o hemograma normal, não podemos ter certeza que esse animal não tem doença alguma. Alguns vírus ficam incubados e levam algum tempo para manifestar sintomas clínicos e alterações laboratoriais. Portanto, proprietários que já tem outros animais em casa devem se assegurar que todos estejam com as vacinas atualizadas (V8 ou V10 e raiva para cães, tríplice ou quádrupla para os gatos). Para proprietários de gatos, vale salientar que para algumas doenças virais importantes dos felinos não existe vacina.

Cocker resgatado na Radial Leste, em novembro de 2010

Para a higiene, recomendo um banho em pet shop ou em casa, desde que sejam usados produtos específicos e tomados os devidos cuidados. Indico banho com água em temperatura confortável e nunca usar água fria no inverno. Deixar sempre a cabeça por último e ficar atento para não deixar cair água nem xampu nos olhos e nos ouvidos. Gosto e uso o xampu Johnson “chega de lágrimas” para o focinho, pois não agride os olhos de cães e gatos. Para o corpo existem vários xampus de uso veterinário no mercado.  De uso humano, indico Protex ou Soapex líquidos, além de sabonete de coco Granado. Após o banho, é importante enxugar o animal e secar todo o pelo com secador.

Caso o animal tenha pulgas, a maneira mais rápida e eficaz de erradicá-las é com o medicamento veterinário Capstar (comprimido). A administração é única e de acordo com o peso do animal. Após administração, em menos de uma hora todas as pulgas morrem. Para prevenção de pulgas e carrapatos há boas opções também de uso veterinário, mas que devem ser aplicadas por via tópica: Frontline, Practic (apenas para cães), Revolution, Max 3 (apenas para cães).

Para alimentá-lo, recomendo rações de boa qualidade e, dependendo do estado nutricional do animal, a de filhote é a melhor opção. Se em cerca de 10 dias o animal continuar bem e sem nenhuma manifestação clínica importante, iniciamos a vacinação. Para filhotes indicamos três doses de vacina num intervalo de 21 dias até no máximo 30 dias (cães: V8 ou V10, gatos: tríplice ou quádrupla). Para cães e gatos acima de um ano indicamos apenas duas doses no mesmo intervalo de tempo.  Após as vacinas, gosto de esperar no mínimo 15 dias para castrá-los.

Muitos acolhem um animal de rua, mas sem intenção de adotá-lo. Nessa situação, aconselho que decida o melhor a fazer de acordo com sua disponibilidade, responsabilidade e condição financeira. Vejo muitas pessoas recorrendo a ONGs ou até mesmo a nós, médicos veterinários. O que poucos sabem é que a maioria das ONGs conta com a colaboração de pessoas que abrigam animais temporariamente por não terem abrigo. E nós veterinários, infelizmente, também não temos condições de acolher todos aqueles que nos procuram.

acolhi cães de rua e paguei pela hospedagem em hotel até conseguir doá-los. Muitos hotéis cobram um valor diferenciado para animais de rua.  Já os gatos consegui manter por algum tempo até conseguir dono.

Considero coerente que cada um assuma responsabilidade após tomar uma iniciativa. Sou veterinária e falo por mim. Jamais recusei atender um animal de rua, mas dependo da boa vontade de quem o resgatou para dar continuidade a esses cuidados.

Um feliz 2012 e boa sorte com seu bicho!

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Os meus desejos para 2012

O ano novo não deixa de ser apenas um dia após o outro. Eu, como muitos, aproveito essa época para renovar os sonhos, planejar coisas novas, mudar alguns hábitos, agradecer, reconhecer e acreditar.

Prefiro e quero acreditar na bondade, na honestidade, na confiança, no altruísmo, na generosidade e no amor. Desprezo o egoísmo, a maldade, a violência, o abandono e o desamor.  Nós humanos nos dividimos em sentimentos tão antagônicos, enquanto os animais continuam nos ensinando sobre a gratidão e o amor.

Ultimamente muitas notícias nos chocaram, por tanta maldade e covardia. Não assisto, não escuto e prefiro não compartilhar histórias como essas. O sofrimento de um animal é o meu ponto fraco. Acredito na lei do retorno, onde cada um recebe o que planta.

Quando escolhi ser veterinária sabia que iria lidar com coisas tristes, sabia que seria difícil, mas compensatório.  Achava que por amar demais não teria coragem de encarar essa profissão. Mas esse amor me dá força quando preciso. Sempre digo que tenho sorte por trabalhar com o que realmente tenho paixão, com os animais e para eles.

Aproveito esse canto do focinho para agradecer e desejar. Agradeço aos meus queridos clientes, por confiarem em mim e por cuidarem tão bem de seus pets. Agradeço pela dedicação e pelo amor de cada um por seus bichinhos. Agradeço aos que cuidaram dos seus cães e gatos até o fim, agradeço especialmente aos que nunca os abandonaram.

Um agradecimento aos meus pacientes, tão queridos e amados, que me proporcionam alegria sem fim. Aos medrosos, valentes, carinhosos, bagunceiros, bravos e encantadores. Cada um especial a sua maneira. E cada um que nos deixou nesse ano nunca será esquecido: Jully, Balu, VictorMilkZeca, Mel, Willy, Donald, Billy, Chinin, Mel, Vitória, Low, Aquiles, Arena, Nike, Simba, Soneca entre outros tão especiais. E no dia de hoje mais um anjinho nos deixou, o poodle de 15 anos da Ju, o Willy.

Agradeço a minha querida sócia Juliana, pela parceria e amizade. Agradeço aos meus cães por me proporcionarem tanto amor. Agradeço as pessoas da minha vida: família, namorado e amigos. Vocês são minha maior riqueza.

Finalizo então com meus desejos para 2012. Desejo boas notícias, desejo paz e igualdade, desejo segurança, desejo reciprocidade, desejo harmonia e esperança. Para os que amam, respeitam e não maltratam os animais, desejo saúde, solidariedade, união, realizações, paz, alegria de viver, generosidade, compreensão, prosperidade e amor. Para os nossos melhores amigos pets, desejo saúde, diversão, companhia, passeios, natureza, petiscos, bons cochilos e boas espreguiçadas, brincadeiras, amor e carinho.

Mas o meu maior desejo é que fossem eternos, e que não nos deixassem jamais…

Que o ano de 2012 seja muito especial para todos nós!!!

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Minha querida Tamy

Tive alguns animais de estimação e certamente amei e senti muito a perda de todos. Mas a poodle Tamy era minha cadelinha especial. Branca, pequena, delicada e amorosa, ela foi minha companheira dos 12 aos 22 anos. Acredito que foi por ela que optei pela medicina veterinária. Foi por Tamy também que escolhi o tema da minha monografia de conclusão de curso: “Como lidar com a morte dos animais de estimação”, em que abordo maneiras do veterinário ajudar o  proprietário no momento da perda. 

Tamy era praticamente minha “sombra”. Vivia atrás de mim! Ficava tão radiante quando eu chegava que, segundo minha irmã Lu, até entortava o corpinho. Pedia e dava carinho, mas também sabia a hora de ficar quietinha para compartilhar meus ocasionais choros de adolescente. Mas nunca saía do meu lado.

Aos sete anos, Tamy começou a apresentar sintomas de doença cardíaca e passou a tomar, diariamente, seus medicamentos enrolados num pedacinho de pão sem nunca recusar. Acho que ela entendia que era preciso e se eu, o alvo de todo o seu amor, estava dando o remédio, ela não poderia fazer a desfeita de recusá-lo. Por três anos seguimos assim até que em meados de 2003, último ano de faculdade, notei que as coisas já não iam tão bem.

Durante a noite ela sentia falta de ar, tossia e, às vezes, não conseguia dormir. Nem eu. Então, juntas, esperávamos a crise passar. Meu professor de Cardiologia Luciano Pereira foi fundamental durante esse período. Ele não apenas cuidava da Tamy, como também me preparava para o que poderia acontecer. Luciano foi e sempre será um exemplo para mim e estou certa de que minha companheirinha não poderia estar em mãos melhores do que as dele.

Os meses passavam e novos sintomas surgiam, além da falta de ar, que se tornava cada vez mais frequente. Certo dia, Luciano me alertou: “Tati, é melhor que a Tamy não viva tanto se for para sofrer.” Ele relatou que alguns pacientes que tinham uma ligação muito especial com seus “donos” às vezes os poupavam do sofrimento e partiam no momento certo, antes que eles tivessem que considerar uma eutanásia. Para isso, eu devia entender e aceitar que não havia mais cura para minha pequenina. Eu sofria todos os dias na expectativa do que poderia acontecer com Tamy.

Certa manhã, fui medicá-la como de costume e a Tamy, pela primeira vez, recusou o remédio. Comecei a chorar e entendi que aquele poderia ser um sinal. Fui para a faculdade, busquei minha mãe na escola onde ela lecionava e, ao chegar em casa, minha irmã Luciane me chamou: “Tati, vá logo ver a Tamy porque ela não está bem!”. Corri para encontrá-la e a peguei no colo. Ela olhou para mim e, em poucos instantes, morreu nos meus braços. Tenho certeza de que ela me esperou chegar. Queria se despedir.

Saí correndo de casa para levá-la a uma clínica veterinária. Precisava que alguém confirmasse o que eu já sabia. Por falta de opção, fui parar num veterinário 24h que desconhecia. Aos prantos, entrei no consultório. O veterinário colocou Tamy na mesa e auscultou. Friamente, disse: “Está morta.” Antes mesmo de eu conseguir olhá-la de novo, o médico já estava chamando outro cliente e não voltou a me dirigir uma só palavra. Saí daquela clínica triste e revoltada. Nunca esqueci da frieza daquele homem, que jamais deveria ter escolhido ser um médico veterinário.

Embora a morte da Tamy tenha me causado uma dor sem fim, trouxe experiências que me tornaram a profissional que decidi ser. Aprendi que quando amamos demais um bicho de estimação, temos que nos esforçar para aceitar que certas doenças são incuráveis e procurar priorizar a qualidade de vida do animal. É preciso rezar ou torcer por sua saúde e não apenas por uma vida duradoura. E aprendi que nunca deveria tratar ninguém da forma que fui tratada por aquele veterinário, mas que deveria seguir sempre o exemplo do meu querido professor Luciano. E assim optei por seguir o caminho da entrega, do envolvimento e da solidariedade.

Continuo me esforçando para lidar melhor com a perda, seja dos meus animais ou dos meus pacientes. Sempre é triste e difícil, às vezes mais do que deveria.  Entretanto, após sete anos de formada tenho certeza que escolhi o caminho certo. E agradeço minha Tamy, meu anjinho da guarda, por ter me proporcionado tanto amor e alegria.

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Vamos ajudar os animais do Projeto Cão sem Fome?‏

Vamos ajudar o “Projeto Cão sem Fome”?

Desde novembro colaboro com o Projeto Cão sem Fome, criado para prestar assistência a cães abandonados, resgatados e em situação de risco em  São Paulo por meio do fornecimento de ração e cuidados com a saúde dos animais. O objetivo do projeto não é oferecer abrigo, recolher ou resgatar animais de rua, mas ajudar os cães que já vivem em abrigos – que são muitos, sendo que boa parte encontra-se em condições nada boas.

O projeto depende de doações por pessoas que se sensibilizam com a causa. Para isso o grupo de colaboradores promove campanhas e organiza eventos para garantir alimentação e saúde de 101 cães que vivem em abrigos.

Você já esteve em algum abrigo para cães e gatos? Já conheci alguns e posso dizer que a vida desses animais não é nada fácil. São animais sem raça, outros de raça que foram abandonados. Filhotes, velhinhos, deficientes físicos, bonitos e feios. O que eles têm em comum é a falta de um lar.

Infelizmente, escuto relatos tristes na clínica onde trabalho. De pessoas que compram um cão ou gato de raça num lugar qualquer, mas decidem “devolver” o animal quando ele adoece. Alguns  tentam se justificar: “ O tratamento vai custar mais caro do que ele. Melhor então devolvê-lo ou trocá-lo!”.  Isso acontece também com animais adotados. Qualquer imprevisto ou gasto além do planejado pode ser motivo de devolução. Já me perguntaram até se uma eutanásia não seria mais barata do que uma cirurgia para salvar a vida do bichano. Outros se cansam quando o animal envelhece e começa a sujar a casa e dar mais despesas com remédios e tratamentos. Essa é uma das partes tristes da minha rotina…

Nós, veterinários, dependemos do proprietário para cuidar corretamente do animal. Felizmente, tenho clientes especiais, que fazem o possível e o impossível pelo bem estar de seus amigos peludos. Amor e cuidado independem de questões financeiras, dependem mais do comprometimento e do respeito pelo animal que escolhemos para nos fazer companhia. Um cão ou gato de estimação é para a vida toda. Por isso temos obrigação de cuidar de sua saúde. Eles dependem da gente e nos recompensam de maneira muito especial.

Quer nos ajudar?

No fim deste ano o Projeto Cão sem Fome vai organizar um bazar de Natal para arrecadar fundos para o abrigo. Aceitamos doações de roupas novas e usadas, sapatos, roupas de cama, mesa e banho, além de utensílios de cozinha. É possível comprar sacolinhas de Natal que custam entre R$10 e R$30 com opções de produtos para ajudar os cães do abrigo. Mais informações aqui.

Se não puder com doações, compartilhe este post.

Eu e os amigos do Projeto Cão sem Fome agradecemos!

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