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As boas novas

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Há tempos não passo por aqui e algumas pessoas me escreveram pedindo notícias do meu Manolinho. Isso me deixa muito feliz e me sinto na obrigação de contar para vocês como estamos. 2013 não foi um ano fácil, mas não diria de forma alguma que foi um ano ruim. Meu pai sofreu um acidente de carro em dezembro de 2012 e como consequência teve lesão medular, ficou uma semana na UTI e um mês internado. Eu e minha família tivemos que nos adaptar a uma nova rotina cheia de cuidados, preocupação, muita gente em casa e muitas noites sem dormir. Meu pai é um guerreiro e com toda sua dedicação e força de vontade segue se recuperando muito bem.

Em fevereiro diagnostiquei meu Manolo com diabetes e os cuidados foram triplicados. Desde então, passo algumas horas na cozinha preparando sua alimentação e tantas outras estudando maneiras de mantê-lo sempre com saúde. Sempre dei importância para a alimentação e o Manolo me tornou adepta e fã da comida caseira também para os cães. Fiz alguns cursos sobre alimentação e medicina preventiva e enriqueci meu conhecimento graças ao meu ex gordinho.

No início do tratamento o peso do Manolo era 14,6kg e administrava 7 unidades de insulina a cada 12 horas. Hoje, ele pesa aproximadamente 11,6kg e usa 1,5 unidade de insulina a cada 12 horas. Ele come comida caseira 3 vezes ao dia e a rotina dele é mais ou menos dessa forma:

8h: 1/4 refeição diária + 1,5 unidade de insulina e em seguida um Pet Palito Zero ou um pedaço de maçã

12h: 1/4 refeição diária

Tarde: um palito/beiju (para roer)

20h: 1/2 refeição + 1,5 unidade de insulina + 1 castanha do Pará

Sei que muitos colegas não indicam petiscos e frutas para cães diabéticos, mas como sou veterinária e proprietária muito zelosa controlo sempre a glicemia dele. Só por isso “saio um pouco da linha”. É importante dizer que todas as vezes que tento acrescentar algo diferente na dieta controlo a glicemia com maior frequência.

Desde o ano passado ele já passou por dois procedimentos cirúrgicos simples com anestesia geral e não teve problema algum. Felizmente também não teve alteração na visão, o que me deixa extremamente feliz! Entretanto, continua “roubando” comida e tirando o meu sossego. Mas quando ele está bem me devolve o sossego e enche meu coração de alegria.

A última novidade é que no final do ano o Manolo e a Lolita ganharam uma irmãzinha nova – a Amora. Adotei a pequena em novembro de 2013 quando ainda tinha pouquíssima chance de sobrevida. Ela ficou internada por quase duas semanas no INVET e graças aos meus colegas Juliana e Danilo se recuperou bravamente de um quadro gravíssimo de insuficiência renal aguda. Eu acreditei nela e todos os dias ela me mostra o quanto valeu à pena. O Manolo nem liga para a Amora e continua vivendo num mundinho só dele, mas com a Lola (e com meu sobrinho Pedro) ela brinca o dia todo.

A Amora veio num momento em que realmente não precisava (e nem gostaria) de cuidar de mais ninguém. Tenho mais sujeira para limpar, mais gastos, mais cuidados, mais comida para fazer e mais preocupação. Em contrapartida tenho mais amor, mais orgulho, mais satisfação, mais emoção e mais alegria nos meus dias. A Amora se tornou meu “pequeno milagre”. Por tudo isso posso dizer que 2013 foi, sim, um ano muito especial. Tive amor de sobra, pessoas especiais ao meu lado e muitos motivos para comemorar!

Amora ainda internada, em novembro de 2013

Amora ainda internada – novembro de 2013


Amora - janeiro de 2014

Amora – janeiro de 2014

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O ônus e o bônus de ser uma proprietária veterinária

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Nesse mês completam 7 meses que meu Manolo, um Beagle atópico de 9 anos, foi diagnosticado com diabetes. Para quem não sabe, atopia é um tipo de alergia muito comum em cães e não tem cura, apenas controle. Um cão atópico pode ter alergia a uma série de coisas – poeira, produtos de limpeza, xampus, alguns alimentos, pulgas, etc. Além disso, cães atópicos tem infecções de pele secundárias à alergia e muita coceira. 

Quando diagnostiquei meu pequeno com diabetes minha maior preocupação, além das injeções diárias e o pavor que ele sempre teve de agulhas, era como conseguiria controlar a alergia sem o corticóide. A cortisona é um hormônio que nosso próprio organismo produz.  Tem ótima resposta para o prurido, mas deve ser usado com cautela pelos inúmeros efeitos colaterais, sendo contra indicado para pacientes diabéticos por ser hiperglicemiante.

Um mês antes do diagnóstico iniciei um novo medicamento, um modulador do sistema imunológico chamado ciclosporina. Um dos efeitos colaterais, descritos como raríssimos na própria bula do medicamento é o aumento da glicemia. Como a mãe do Manolo era diabética, provavelmente o medicamento antecipou o diagnóstico. Mesmo assim, segui com a medicação pois a diabetes já era um caminho sem volta. 

Conforme relatei no post anterior do Manolo, optei pela dieta caseira por dois motivos – para conseguir fazê-lo comer nos horários certos e para meu gordinho perder peso. Há 7 meses cozinho para ele e certamente ele come melhor do que eu. Posso deixar de fazer a minha refeição, mas nunca a dele. O Manolo ama a comida e felizmente é meu melhor paciente diabético. As glicemias são excelentes e as poucas vezes que ele me deu susto foram por culpa da arte de “roubar comida” e comer o que não deve. 

A sorte dele é que eu consigo controlar a glicemia e monitorá-lo da melhor maneira. Com isso, consigo dar alguns petiscos fora de hora. Toda tarde dou um vergalho, ou 1 Pet Palito 0 (da Organnact), ou 1 Pró Palito (da Vetnil). Após o café ou jantar dou uma frutinha após a insulina como recompensa. É importante dizer que abro essas exceções pois tenho como controlar a glicemia dele diariamente e felizmente ele é muito compensado. A glicemia do Manolo em jejum é aproximadamente 90mg/dl e no pico não passa de 180mg/dl. Pacientes diabéticos não devem comer fora do horário e a quantidade de alimento deve ser bem certinha!

Confesso que durante esse tempo tive momentos de desespero nas crises alérgicas. Quando parei de administrar a ciclosporina ele piorou muito e se coçava demais. Acordei inúmeras noites com ele chorando de tanto se coçar, e de tanta coceira se machucava. Muitas vezes rezei e pedi para que se ele fosse viver assim, que não precisava ser por tanto tempo. Por amar tanto meu Manolinho nunca suportei vê-lo sofrendo. Ele passava dias com o colar protetor e sempre arrumava um jeito de se coçar, tremia e chorava de tanta coceira. Mesmo com receio de alterar a glicemia retomei a ciclosporina e há quase 3 meses ele toma diariamente. Felizmente meu amorzinho está muito bem.

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Há 7 meses organizo minha rotina em função dos horários dele. Acordo cedo todos os dias e me programo para estar em casa aproximadamente às 20h, que é o horário da janta. Se durmo no meu namorado volto cedinho para casa para dar o café da manhã e insulina no Manolo, se viajo tenho que programar a rotina e preparar um monte de marmitas com antecedência. Meu Manolo me enche de preocupação, me limita alguns horários, me faz perder horas na cozinha e outras horas de sono, mas faz tudo isso valer a pena!

Sou cada dia mais apaixonada por ele e esse amor é incondicional. Amo chegar em casa e vê-lo abanando o rabinho só para mim, amo o jeitinho que ele dorme e a alegria na hora do passeio e nas refeições. Meu Manolo me tornou uma veterinária melhor. E hoje, no dia do veterinário que seria meu, agradeço meu amigo por todos esses anos de aprendizado. Manolinho, se for para viver bem e feliz, quero você perto de mim por uma eternidade…

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