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Dermatite Atópica em Cães

Tobi

Tobi, aproximadamente 5 anos, adotado pela Ju em 2012 após ter sido abandonado no banho e tosa. Ele tinha o olho perfurado, provavelmente por auto traumatismo de tanto se coçar. Tobi tem Dermatite Atópica.

O que é a Dermatite Atópica?

A Dermatite Atópica (Atopia) é uma doença alérgica, que causa alterações na barreira da pele, a tornando mais ressecada e susceptível a infecções oportunistas pela penetração de agentes externos. Esses agentes podem ser fungos, leveduras, bactérias e/ou qualquer outro agente irritante presente em camas, cobertores, poeira, produtos de limpeza, etc.  Os principais sintomas observados são coceira, pele avermelhada e/ou ressecada, falha na pelagem, queda de pelo e feridas. Quanto mais ressecada estiver a pele, pior será a coceira.

Como diagnosticar?

Antes de determinarmos que um paciente tenha alergia, temos que descartar os problemas de pele causados por doença hormonal  e parasitas (como sarnas e fungos). Eliminando essas possíveis causas, conseguimos definir que a origem do problema possa ser mesmo alérgica. Para diagnosticarmos um paciente com Atopia, precisamos eliminar outras doenças como Dermatite Alérgica à Picada de Pulga (DAPP) e Alergia Alimentar.

1º passo: iniciar controle rigoroso de parasitas (pulgas e carrapatos), para descartar DAPP.

2 º passo: dieta hipoalergênica, com fonte proteica diferenciada (proveniente de dieta caseira ou ração especial). Essa dieta deve ser mantida por pelo menos 60 dias e é imprescindível que o paciente não coma nada diferente. Esse teste serve para excluir a possibilidade de Alergia Alimentar.

3 º passo: caso seu animalzinho não apresente resposta positiva às tentativas anteriores, fica estabelecido o quadro de Dermatite Atópica.

Como tratar?

Por não ter cura, apenas controle, um cão atópico precisa de cuidados durante toda a sua vida. Nosso objetivo principal é proporcionar conforto e melhor qualidade de vida ao nosso paciente. Listamos alguns pontos importantes do tratamento:

1-Controlar e tratar infecções secundárias. O uso de antibiótico, muitas vezes, será necessário e o tempo de tratamento recomendado pelo veterinário deve ser  seguido corretamente. Muitos proprietários, ao notar melhora no início do tratamento, suspendem a medicação antes do período estipulado. Isso interfere no tratamento e favorece às recidivas. A pele infeccionada pode causar coceira.

2-Fazer controle rigoroso de pulgas e carrapatos. Mesmo que seu animal não seja alérgico a esses parasitas, por ter uma pele mais sensível, pode apresentar mais irritação e coceira, além de doenças graves como a “doença do carrapato”.

3-Utilizar xampus hipoalergênicos e cuidar sempre da hidratação da pele. É importante salientar que a hidratação feita em pet shop hidrata apenas o pelo e não a pele do paciente. A hidratação da pele deve ser feita com produtos de uso veterinário, sempre prescritos de acordo com a necessidade de cada paciente.

4- Preferir produtos de limpeza de uso veterinário, que não são irritantes nem corrosivos para o seu animalzinho.

5- Controlar a coceira (prurido), para proporcionar conforto e evitar que seu cão se machuque. Os corticoides devem ser usados com muita cautela e nunca sem orientação.

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Manolo, o Beagle senhorzinho da Tatti. Além de Diabetes, Manolinho tem Atopia desde os 2 anos de idade.

É importante salientar que o sucesso terapêutico depende de um trabalho em equipe. Cabe a nós, veterinários do seu animalzinho, identificarmos a causa do problema e escolhermos a melhor conduta terapêutica. Entretanto, dependemos unicamente do tutor dos nossos pacientes, para seguir corretamente nossas orientações e entender que a melhora pode não ser tão rápida quanto gostaríamos. É preciso ter paciência e persistência.

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O ônus e o bônus de ser uma proprietária veterinária

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Nesse mês completam 7 meses que meu Manolo, um Beagle atópico de 9 anos, foi diagnosticado com diabetes. Para quem não sabe, atopia é um tipo de alergia muito comum em cães e não tem cura, apenas controle. Um cão atópico pode ter alergia a uma série de coisas – poeira, produtos de limpeza, xampus, alguns alimentos, pulgas, etc. Além disso, cães atópicos tem infecções de pele secundárias à alergia e muita coceira. 

Quando diagnostiquei meu pequeno com diabetes minha maior preocupação, além das injeções diárias e o pavor que ele sempre teve de agulhas, era como conseguiria controlar a alergia sem o corticóide. A cortisona é um hormônio que nosso próprio organismo produz.  Tem ótima resposta para o prurido, mas deve ser usado com cautela pelos inúmeros efeitos colaterais, sendo contra indicado para pacientes diabéticos por ser hiperglicemiante.

Um mês antes do diagnóstico iniciei um novo medicamento, um modulador do sistema imunológico chamado ciclosporina. Um dos efeitos colaterais, descritos como raríssimos na própria bula do medicamento é o aumento da glicemia. Como a mãe do Manolo era diabética, provavelmente o medicamento antecipou o diagnóstico. Mesmo assim, segui com a medicação pois a diabetes já era um caminho sem volta. 

Conforme relatei no post anterior do Manolo, optei pela dieta caseira por dois motivos – para conseguir fazê-lo comer nos horários certos e para meu gordinho perder peso. Há 7 meses cozinho para ele e certamente ele come melhor do que eu. Posso deixar de fazer a minha refeição, mas nunca a dele. O Manolo ama a comida e felizmente é meu melhor paciente diabético. As glicemias são excelentes e as poucas vezes que ele me deu susto foram por culpa da arte de “roubar comida” e comer o que não deve. 

A sorte dele é que eu consigo controlar a glicemia e monitorá-lo da melhor maneira. Com isso, consigo dar alguns petiscos fora de hora. Toda tarde dou um vergalho, ou 1 Pet Palito 0 (da Organnact), ou 1 Pró Palito (da Vetnil). Após o café ou jantar dou uma frutinha após a insulina como recompensa. É importante dizer que abro essas exceções pois tenho como controlar a glicemia dele diariamente e felizmente ele é muito compensado. A glicemia do Manolo em jejum é aproximadamente 90mg/dl e no pico não passa de 180mg/dl. Pacientes diabéticos não devem comer fora do horário e a quantidade de alimento deve ser bem certinha!

Confesso que durante esse tempo tive momentos de desespero nas crises alérgicas. Quando parei de administrar a ciclosporina ele piorou muito e se coçava demais. Acordei inúmeras noites com ele chorando de tanto se coçar, e de tanta coceira se machucava. Muitas vezes rezei e pedi para que se ele fosse viver assim, que não precisava ser por tanto tempo. Por amar tanto meu Manolinho nunca suportei vê-lo sofrendo. Ele passava dias com o colar protetor e sempre arrumava um jeito de se coçar, tremia e chorava de tanta coceira. Mesmo com receio de alterar a glicemia retomei a ciclosporina e há quase 3 meses ele toma diariamente. Felizmente meu amorzinho está muito bem.

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Há 7 meses organizo minha rotina em função dos horários dele. Acordo cedo todos os dias e me programo para estar em casa aproximadamente às 20h, que é o horário da janta. Se durmo no meu namorado volto cedinho para casa para dar o café da manhã e insulina no Manolo, se viajo tenho que programar a rotina e preparar um monte de marmitas com antecedência. Meu Manolo me enche de preocupação, me limita alguns horários, me faz perder horas na cozinha e outras horas de sono, mas faz tudo isso valer a pena!

Sou cada dia mais apaixonada por ele e esse amor é incondicional. Amo chegar em casa e vê-lo abanando o rabinho só para mim, amo o jeitinho que ele dorme e a alegria na hora do passeio e nas refeições. Meu Manolo me tornou uma veterinária melhor. E hoje, no dia do veterinário que seria meu, agradeço meu amigo por todos esses anos de aprendizado. Manolinho, se for para viver bem e feliz, quero você perto de mim por uma eternidade…

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