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Transformando vidas

Por meio desse lindo relato, minha parceira de profissão Ju Didiano, foi premiada com uma viagem para Cartagena – Colômbia, onde acontecerá o 41° WSAVA, Congresso de Medicina Veterinária.
Ju, muito orgulho e admiração por você.  Histórias como essas são os verdadeiros presentes da vida e ser sorteada foi um reconhecimento da sua dedicação e amor. Parabéns, Ju ❤

Ju_Jully

“No dia 20/03/13 por volta das 19:30, já havia encerrado o atendimento da clínica quando nossa recepcionista me chamou dizendo que havia chegado uma emergência: uma cachorrinha atropelada.
Imediatamente pedi para o proprietário entrar na sala de atendimento para que eu pudesse examiná-la.
Ao começar o atendimento emergencial pude ver uma grande e dolorosa fratura exposta em membro anterior esquerdo. Podia sentir sua dor naquele momento. Imediatamente apliquei medicações para controle da dor.
Após medicá-la conversei com o proprietário que teríamos que submetê-la a uma anestesia geral para redução da fratura, assepsia da ferida e imobilização do membro.
Fiquei com a pequena Jully em nosso centro cirúrgico por longas 2 horas, reconstruindo cada pedacinho de seu membro. A lesão foi extensa, com ruptura de músculos, tendões e fratura completa de rádio e ulna.

 

Após finalização do procedimento, a pequena Jully foi liberada, com a fratura estabilizada, medicada e com as devidas medicações prescritas e doadas por nós, pois o proprietário apresentava restrições financeiras.
Foi solicitado que o proprietário fizesse uma radiografia do membro no dia seguinte, e retornasse em nossa clínica pra reavaliação.
Para nossa surpresa, o proprietário não voltou no dia seguinte, voltou somente 2 dias depois, com a radiografia e com a Jully com o seu membro extremamente edemaciado. O proprietário chegou em nossa clínica reclamando da cachorra, que tinha que trabalhar, que não tinha tempo para cuidar e administrar os medicamentos prescritos à Jully. Fiquei muito triste, decepcionada e brava por todo discurso do proprietário.
Deixei o proprietário desabafar tudo que precisava, fiz as medicações que a Jully precisava receber, examinei cautelosamente as radiografias, e inesperadamente, fiz uma proposta ao proprietário: que doasse a Jully para mim, eu iria cuidar da pequena, e assim que estivesse recuperada, iria encontrar uma nova família para ela. Ele nem titubeou, respondeu prontamente que aceitava, e que mais tarde nos traria as medicações que ela estava tomando. Fiquei triste por uma lado: ela havia sido abandonada pelo seu dono, mas feliz por outro: teria perspectiva de encontrar uma família digna de sua companhia e carinho.
A Jully ficou em nossa clínica por cerca de 2 meses, recebendo todo tratamento, curativos e cuidados necessários para sua recuperação. Durante este período muitos clientes a viam circulando pela clínica, mas uma pessoa em especial, a querida cliente Jussara, proprietária de nosso paciente Kiko, já estava cultivando esta pequena semente de futura dona. Um dia me perguntou se a Jully seria doada, que ela estaria interessada em adotá-la, para fazer companhia à sua mãe, uma senhora idosa que morava sozinha. Achei perfeito esta possibilidade de adoção!!!
Nos comprometemos a doá-la castrada e vacinada. E assim, após consolidação da fratura, castração e vacinação a pequena Jully encontrou sua nova família. Foi emocionante saber que existem muitas pessoas dispostas a doar seu carinho e amor a um animal abandonado.
Anualmente a Jully nos visita para as vacinas, e em todas as vezes, ela sempre vem correndo para nossa sala, quando nos vê pula, pula, pula muito, como se fizesse 10 anos que não nos víssemos.
Assim termina nossa história de transformação de vida: uma cachorrinha atropelada e abandonada, mas com nossa ajuda, conseguiu ficar com o membro completamente recuperado, sem sequelas, e com uma família nova.”

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Maria Paçoca

Maria Paçoca

 

Gostaria de contar um pouco a história da Maria Paçoca e pedir a ajuda de vocês. Essa garotinha foi abandonada no estacionamento da Cobasi (filial Radial Leste), no dia 28 de dezembro de 2014. Ela ficou dois dias conosco e desde o primeiro instante fiquei encantada e comovida com tanta carência e doçura.  Não sabemos de onde ela veio, se tinha dono, se era de rua, mas soubemos desde o início que ela não gostava de ficar sozinha. Foram dias angustiantes até encontrar o primeiro lar temporário – Gabriel a recebeu de braços abertos em seu apartamento, para passar a véspera de ano novo até conseguirmos um outro lugar para ela. Como ela ficaria sozinha na noite de réveillon, fiquei preocupada que ela ficasse aterrorizada com o barulho dos fogos e destruísse alguma coisa no apartamento do Gabriel. Felizmente deu tudo certo!

Maria Paçoca No segundo lar temporário, na casa da querida Alessandra, a Paçoca aproximadamente 20 dias. Ela passou esse período com dois outros cães e uma criança, interagindo bem com todos de casa. Então a garota encontrou sua atual tutora, a Daniella. Sabíamos desde o início que a Paçoca sofria da “síndrome do abandono”, e a Dani desde o começo não mediu esforços para cuidar dessa garota. Até arrumou um novo amigo para fazer companhia, já que tem uma rotina de trabalho que faz com que ela fique muitas horas fora de casa.

O problema é que por ficar muito tempo sozinha, a Paçoca tem tentado fugir de todas as maneiras, até tentando subir no telhado. Se fica dentro de casa enquanto a Dani não está, destrói alguma coisa na tentativa de segui-la. A preocupação maior da Dani é que ela esteja sofrendo e que se machuque numa dessas tentativas de fuga. Entretanto, a Paçoca é de temperamento calmo e tem o hábito de sentar para “pedir” alguma coisa. Aprendeu alguns comandos, é extremamente dócil, se relaciona bem com cães e pessoas, é ótima com crianças e tolera o irmãozinho mais novo que a atormenta e mordisca o tempo todo. O “problema” desse menina é sofrer de carência excessiva.

A Dani tem deixado a Paçoca na creche 3 vezes na semana, mas mesmo assim disse que está bem complicado nos Maria Paçoca e José Biscoitodemais  dias quando fica em casa sozinha. Ela sai cedinho para trabalhar e volta só a noite. E de sábado também trabalha. Sugeri mais uma vez tentarmos o adestramento, mas caso não ajude, a Dani gostaria realmente de encontrar um novo lar para a Paçoca. O ideal é uma família que fique mais tempo em casa e tenha tempo para ela.

A Paçoca já está castrada e vacinada. Tem aproximadamente 16 kg e é um doce de cadelinha.

Caso alguém tenha interesse em conhece-la, e/ou possa me ajudar a encontrar um novo lar para a Maria Paçoca, agradeço de coração.

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A História da Vitória

Segunda feira dessa semana a Vitória cruzou o meu caminho. Estava quase chegando no Cobasi quando reparei numa cachorrinha mancando e aparentemente sozinha na Radial Leste.
Ao entrar na loja dei de cara com ela, que não estava sozinha mas acompanhada da sua Vicentina. As duas estavam bem perdidas na porta da loja, quando perguntei a Vicentina se aquela cadelinha era dela. Vicentina perguntou se tinha veterinário na loja e eu me apresentei como tal.
Ela pediu ajuda pois queria castrá-la. Vitória é moradora de rua, pariu recentemente alguns filhotinhos e desde então é alimentada por algumas pessoas.
Vicentina mora a uma quadra de onde fica a Vitória, mas pelo o que me disse reside num quarto alugado e nunca pôde deixá-la entrar.
Vitória foi castrada no mesmo dia, Vicentina se despediu e disse que voltaria depois. A verdade é que fiquei com receio dela não voltar e abandoná-lá comigo, o que me causaria um grande e conhecido problema. Já confiei em bastante gente e me dei mal algumas vezes. Mas como sempre digo, se não vale a pena pela pessoa sempre vale pelo bicho.
Vicentina voltou ansiosa no final do dia. Vitória já estava ótima e a sua espera! Voltaram de carona, e na mesma noite Vicentina disse ter entrado escondida dentro de casa, não teve coragem de deixar a Vitória dormir na rua.
Hoje a garota já chegou de coleira. Perguntei se gostaria que ajudasse a encontrar um dono, mas Vicentina prefere mesmo conseguir outro canto para morar. Assim poderá levar a sua Vitória. E dessa vez tudo está valendo à pena e enchendo meu coração de alegria!

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Vitória

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Minhas boas notícias

Após tantos pedidos de ajuda, que certamente continuarão, escrevo esse post com boas notícias sobre os cães de um dos abrigos que o Projeto Cão sem Fome ajuda.

Em janeiro desse ano estive pela primeira vez no abrigo e uma cadelinha me chamou mais atenção, a danada da Belinha. Entre tantos cães que pediam carinho e bifinho, a Belinha pedia colo. Naquela época ela ainda estava com seus 3 filhotes, magrinha de dar dó. No mesmo dia os bebês foram levados para adoção, e tudo o que soube é que a Belinha ficou triste, muito triste.

Belinha ainda no abrigo

Retornei ao abrigo no mês seguinte, e desde então a Belinha nunca mais saiu da minha cabeça. Nesse dia fiquei trabalhando sentada porque estava com o pé machucado, a danadinha não perdeu a oprotunidade de pular no meu colo e ficou lá quetinha todo o tempo que pôde. Fui embora com o coração na mão. Aquela cachorrinha era tão especial!

Em junho perdemos uma paciente, a Tiffany. A história dela foi contada nesse blog. Dias após seus donos manifestaram o desejo em adotar um cachorrinho, e em poucos dias a Belinha já estava na clínica comigo, recebendo cuidado intensivo para ir para sua nova casa. Enfim, minha princesinha foi adotada!

Belinha na sua nova casa

Uma semana após a Belinha ir para casa, veio então a Lilica para ficar conosco na clínica. A pequena chegou no abrigo depois das minhas visitas e eu ainda não a conhecia. Soube dela quando a Glaucia trouxe a Belinha e me disse que a Lilica saiu correndo atrás do carro quando sua amiga partiu. Mais uma vez, e para variar, fiquei com o coração na mão. A pequena ficou conosco um mês e graças a divulgação de amigos pelo facebook, ela também ganhou uma casa nova!

A Lilica foi adotada na semana passada e ainda não a reencontrei. A Belinha vai toda sexta passar o dia comigo e cada encontro é uma emoção. Nem sei explicar o quanto isso me faz feliz!

Ricardo e sua Lilica

No quintal da Dona Cecília as coisas vão caminhando. As obras estão na reta final, mas o Projeto ainda precisa de ajuda. Dois canis estão prontos e 3 em fase de acabamento. É preciso fazer uma limpeza no terreno, que além do entulho acumulado está cheio de lixo e mato, o que atrai insetos, ratos, etc.

O Cão sem Fome completou um ano no mês passado. Pela informação que tenho da Glaucia, coordenadora do Projeto, é que desde quando começou a ajudar esses dois quintais, foram consumidas 9 toneladas de ração. No início 300kg de ração alimentavam 36 cães. Atualmente 120 animais são atendidos e consomem uma tonelada de ração por mês.

Com relação aos cuidados veterinários, 90% dos cães estão castrados, vacinados contra Raiva e V8 e vermifugados a cada 6 meses. No ano passado 15 animais morreram por doenças e nesse ano apenas 3, desconsiderando os que foram mortos pelos vizinhos quando escaparam pelo portão improvisado. Tivemos 22 adoções e 12 castrações.

Esses números me mostram que mesmo acreditando que ainda fazemos pouco, na verdade pouco é muito para quem não tem nada. O Projeto não é meu e todo mérito é da Glaucia, que dedica o pouco do seu tempo livre de maneira tão especial. Sou apenas uma colaboradora com muita honra, e só posso fazer esse trabalho porque tenho a ajuda de amigos de verdade.

Obrigada Mariana Yukari e Vivian Calderelli, pela boa vontade, preocupação e disposição nas visitas ao abrigo. Obrigada Juliana Didiano, pela parceria de todos os dias.

Esses animais ainda precisam de ajuda e por isso conto, mais uma vez, com a colaboração de todos vocês!

Meus beijos, abraços e meu muito obrigada!!!

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Inverno aquecido no Projeto Cão sem Fome

Com a chegada do inverno, a preocupação com os animais do quintal da Dona Cecília aumenta. Claro, que muita coisa melhorou por lá: alguns cães que estavam doentes se curaram e conseguimos vacinar e vermifugar todos os animais. Além disso, o projeto recebeu doação de materias de construção para a obra do canil. Mas o Projeto Cão sem Fome continua na batalha para conseguir melhorar, ainda mais, a qualidade de vida dos animais que lá vivem. E com o frio, mantas e cobertores são bem-vindos!

Assim, neste mês acontecerá o bazar do dia das mães. Aproveite para organizar e limpar os armários. Eu adoro fazer isso e sempre encontro um monte de coisa parada sem utilidade. O que não serve mais para a gente pode ser muito útil para outras pessoas, portanto, quem puder e quiser revire os armários de casa! Os produtos arrecadados (roupas, bolsas, sapatos, eletrodomésticos, utensílios de cozinha, brinquedos,etc) serão vendidos e toda a renda revertida aos cuidados dos animais.

Outra maneira de ajudar é comprando algum dos produtos do Projeto. Basta entrar na página do Cão sem Fome, clicar na opção lojinha virtual, escolher o item que gostar e comprar! Você ajuda comprando uma mantinha para o seu animal, por exemplo.

Desde já, agradeço a todos os interessados em nos ajudar, seja com doações ou compra de produtos, seja compartilhando nossas informações com os amigos.

Ah, eu ainda não comprei mas vou providenciar hoje mesmo a mantinha para meu Manolo e minha Lolita.

Beijos e abraços!

Tatti

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Adoção: as responsabilidades de cada um

Luc

Muitas pessoas procuram ONGs para encontrar um novo animal de estimação. Mas antes da adoção é preciso ter em mente que nem todos os abrigos possuem infraestrutura suficiente para cuidar da saúde de todos os animais. Muitos são carentes de recursos básicos, como comida e higiene.

O abrigo da Dona Cecília, que faz parte do projeto Cão sem Fome,  não tem condições financeiras para cuidar adequadamente de todos os cães. Quando comecei a ajuda-los percebi que havia muito a ser feito, como melhorar a higiene e manejo do local, e combater os carrapatos que infectam e matam alguns animais. Isso sem falar na realização de exames e testes sorológicos para garantir a saúde completa de cada um. Mas isso depende de dinheiro e pouco pode ser feito de imediato. Conseguimos vacinar mais de 40 cães – o que já foi uma grande vitória.

Escrevo isso para mostrar que ao adotar um animal nesses locais, a pessoa deve ter plena consciência de que a ONG não tem controle de todos os animais e, por isso, não é responsável pelo que pode acontecer depois de sua saída. Esses projetos tentam melhorar a condição de vida dos animais, garantindo em primeiro lugar a alimentação. Tudo que vier a mais é uma vitória.

Por outro lado, acredito que as ONG de animais devem ser verdadeiras sempre. Elas devem, sim, alertar o futuro tutor sobre as reais possibilidades e necessidades do animal a ser adotado. Como veterinária, tenho obrigação e alerto todos os proprietários de animais recém-adquiridos (sejam adotados ou comprados), que nenhum deles está livre de doenças virais, por melhor estado que aparentem. Alguns vírus ficam incubados e podem se manifestar após alguns dias ou meses. Portanto, avaliações periódicas e exames complementares podem ser necessários em alguns casos.

Já ajudei algumas ONGs e sei que problemas com adoções são frequentes. É de inteira responsabilidade da ONG fornecer todas as informações sobre o animal que está sendo doado, como seu temperamento com pessoas e outros cães, traumas vivenciados, doenças anteriores, tratamentos realizados, data e carteira de vacinação, entre outras informações que possam ser úteis ao tutor. Aos proprietários que já têm outro animal, é imprescindível que saibam se existe algum risco para o contactante.

Vale saber, ao adotar, que cães vacinados têm pouquíssima chance de ser infectados por doenças como a cinomose e parvovirose (doenças virais altamente letais). Já no caso dos felinos, existem doenças graves como a Peritonite infecciosa felina (PIF) que não tem cura e pode acometer gatos em qualquer faixa etária. Não existe vacina e o risco de transmissão é grande entre os felinos.

Mas não se esqueça que os cães latem, podem urinar e defecar fora do lugar, exigem atenção e cuidado, fazem bagunça, ficam doentes e algumas vezes destroem objetos. Os felinos miam, podem arranhar móveis, cortinas e sofás, ficam doentes e precisam do nosso cuidado. Portanto, nenhum dos itens citados acima é motivo de abandono e devolução. Um animal não é objeto e precisa ser cuidado e amado por toda suaa vida. O abandono causa trauma emocional e, para mim, é um ato de crueldade.

Não compre e nem adote um animal por impulso. Se ficar doente, cuide. Quando envelhecer, continue ao seu lado. Eles merecem amor, cuidado e respeito!

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Um pedido de ajuda

Hoje fui atender os animais de um dos abrigos que o Projeto Cão sem Fome ajuda, localizado no Grajaú- zona Sul de SP, depois do autódromo de Interlagos. Dona Cecília é a proprietária da casa e abriga aproximadamente 40 cães e alguns gatos.

A convite de Glaucia, organizadora do projeto, fomos examinar alguns cães doentes e vacinar outros. Eu e minha amiga veterinária Vivian Calderelli passamos algumas horas com os peludos, e embora tenhamos feito alguns atendimentos a sensação ao sair de lá foi que muito pouco fizemos. Ainda há muito a ser feito para melhorar a qualidade de vida daqueles animais.

O que tenho certeza é que não lhes falta amor e proteção. Dona Cecília sabe o que cada um gosta e no meio daquele tumulto perde alguns minutos acariciando a cabecinha de um cão carente.  Ela faz uma pausa para acariciá-lo e fala: “É disso que ele gosta!”. Não tivemos tempo para escutar a história da maioria, ou quem sabe nos protegemos de saber detalhes de uma vida triste, ora de abandono, ora de sofrimento.

A notícia boa é que depois da ajuda do Projeto Cão sem Fome, os 40 cães tem o que comer. Glaucia e toda equipe dedicam parte do seu tempo para arrecadar o mínimo para a sobrevivência daqueles queridos animais. Há aproximadamente 5 meses eles não passam fome, mas ainda precisam de cuidado médico e melhores condições para viver. Passamos algumas horas no abrigo e foi praticamente impossível não ser conquistado por tantas carinhas carentes. Alguns fazem fila para receber um cafuné, porque carinho nunca é demais!

Um dos canis em melhor condição

Alguns problemas vão além do que podemos contribuir, porque para isso precisamos realmente de verba. Embora Dona Cecília tenha um terreno grande, os canis tem piso inacabado, as portas são velhas e improvisadas, não há separação do lugar onde dormem e fazem as necessidades. E o pior de tudo é que a parte dos canis não tem sistema de esgoto. Ou seja, aquela sujeira vai toda para a rua e vários vizinhos já acionaram a prefeitura e o centro de controle de zoonoses.

Parte da frente da casa da Dona Cecília

Dona Cecília tem muito amor e boa vontade, mas não tem a menor condição de manter tantos animais. E esse problema não tem fim, porque é bastante comum pessoas “jogarem” animais pelo muro da casa. Para quem ama tanto e cuida de muitos, Dona Cecília não tem coragem de colocá-los na rua novamente.

Portanto, aos que confiam em mim, tem interesse e condições de ajudar de alguma maneira, qualquer ajuda é bem vinda. Em breve irei ao abrigo com minha irmã arquiteta para estipulamos um orçamento dessa obra, bem como o que é possível ser feito para melhorar e reestruturar o local.

Projeto aceita qualquer tipo de doação: ração, petiscos, medicamentos, xampu, desinfetante, álcool, comedouros e bebedouros, cobertores, coleiras, etc. E lógico, melhor ainda quem tiver interesse em adotar algum dos cães. Atualmente são apenas 3 filhotes (de aproximadamente 60 dias) e os demais todos adultos. A maioria é de pequeno a médio porte, entre jovens e velhinhos. A vantagem em adotar um animal adulto é que a personalidade já está formada, portanto, não há surpresas de temperamento.

Finalizando, quero fazer alguns agradecimentos especiais. Aos colegas Mario e Adriana, da empresa de medicamento Chemitec, agradeço imensamente pela doação de vermífugos, antibióticos e demais produtos que serão de extrema valia para os bichanos. Glaucia, Fernanda e sua solícita mãe, agradeço pela companhia  e por me permitir ajudá-los de alguma maneira. A minha colega e querida amiga Vivian, agradeço pela extrema boa vontade e disposição em me ajudar no dia de hoje.

Certamente meu dia foi muito mais especial!

Saiba como ajudar: http://caosemfome.blogspot.com/p/saiba-como-ajudar.html

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Acolhi um animal de rua. O que devo fazer?

Meu primeiro post de 2012 é sobre os cuidados que devem ser tomados ao acolher um animal de rua.  No primeiro contato com o cão ou gato, não há como saber como é sua índole, nem tirar outras conclusões precipitadas. Ele até pode reagir de maneira não amigável, mas isso não significa que seja agressivo. Pode estar com medo, dor ou ter sofrido algum trauma. Portanto, não deixe que a primeira (má) impressão o impeça de ajudar um animal de rua.

O ideal é levá-lo para uma consulta a fim de que o médico veterinário possa examiná-lo e dar as recomendações e prescrições corretas. Sempre peço um hemograma completo (exame de sangue), de valor acessível e fundamental para conhecer o estado geral do animal.

Não costumo aplicar vacina num primeiro momento. Sempre é melhor esperar alguns dias para colher informações importantes sobre alimentação, consistência das fezes e eventuais sintomas. Prefiro vermifugar o animal, mas sempre aviso que, caso ele tenha alguma verminose, dependendo do tipo de verme a vermifugação não é suficiente. Algumas verminoses requerem o uso de antibiótico e controle ambiental. Quando possível, um exame de fezes também é importante.

Mesmo que o animal esteja aparentemente saudável e o hemograma normal, não podemos ter certeza que esse animal não tem doença alguma. Alguns vírus ficam incubados e levam algum tempo para manifestar sintomas clínicos e alterações laboratoriais. Portanto, proprietários que já tem outros animais em casa devem se assegurar que todos estejam com as vacinas atualizadas (V8 ou V10 e raiva para cães, tríplice ou quádrupla para os gatos). Para proprietários de gatos, vale salientar que para algumas doenças virais importantes dos felinos não existe vacina.

Cocker resgatado na Radial Leste, em novembro de 2010

Para a higiene, recomendo um banho em pet shop ou em casa, desde que sejam usados produtos específicos e tomados os devidos cuidados. Indico banho com água em temperatura confortável e nunca usar água fria no inverno. Deixar sempre a cabeça por último e ficar atento para não deixar cair água nem xampu nos olhos e nos ouvidos. Gosto e uso o xampu Johnson “chega de lágrimas” para o focinho, pois não agride os olhos de cães e gatos. Para o corpo existem vários xampus de uso veterinário no mercado.  De uso humano, indico Protex ou Soapex líquidos, além de sabonete de coco Granado. Após o banho, é importante enxugar o animal e secar todo o pelo com secador.

Caso o animal tenha pulgas, a maneira mais rápida e eficaz de erradicá-las é com o medicamento veterinário Capstar (comprimido). A administração é única e de acordo com o peso do animal. Após administração, em menos de uma hora todas as pulgas morrem. Para prevenção de pulgas e carrapatos há boas opções também de uso veterinário, mas que devem ser aplicadas por via tópica: Frontline, Practic (apenas para cães), Revolution, Max 3 (apenas para cães).

Para alimentá-lo, recomendo rações de boa qualidade e, dependendo do estado nutricional do animal, a de filhote é a melhor opção. Se em cerca de 10 dias o animal continuar bem e sem nenhuma manifestação clínica importante, iniciamos a vacinação. Para filhotes indicamos três doses de vacina num intervalo de 21 dias até no máximo 30 dias (cães: V8 ou V10, gatos: tríplice ou quádrupla). Para cães e gatos acima de um ano indicamos apenas duas doses no mesmo intervalo de tempo.  Após as vacinas, gosto de esperar no mínimo 15 dias para castrá-los.

Muitos acolhem um animal de rua, mas sem intenção de adotá-lo. Nessa situação, aconselho que decida o melhor a fazer de acordo com sua disponibilidade, responsabilidade e condição financeira. Vejo muitas pessoas recorrendo a ONGs ou até mesmo a nós, médicos veterinários. O que poucos sabem é que a maioria das ONGs conta com a colaboração de pessoas que abrigam animais temporariamente por não terem abrigo. E nós veterinários, infelizmente, também não temos condições de acolher todos aqueles que nos procuram.

acolhi cães de rua e paguei pela hospedagem em hotel até conseguir doá-los. Muitos hotéis cobram um valor diferenciado para animais de rua.  Já os gatos consegui manter por algum tempo até conseguir dono.

Considero coerente que cada um assuma responsabilidade após tomar uma iniciativa. Sou veterinária e falo por mim. Jamais recusei atender um animal de rua, mas dependo da boa vontade de quem o resgatou para dar continuidade a esses cuidados.

Um feliz 2012 e boa sorte com seu bicho!

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Vamos ajudar os animais do Projeto Cão sem Fome?‏

Vamos ajudar o “Projeto Cão sem Fome”?

Desde novembro colaboro com o Projeto Cão sem Fome, criado para prestar assistência a cães abandonados, resgatados e em situação de risco em  São Paulo por meio do fornecimento de ração e cuidados com a saúde dos animais. O objetivo do projeto não é oferecer abrigo, recolher ou resgatar animais de rua, mas ajudar os cães que já vivem em abrigos – que são muitos, sendo que boa parte encontra-se em condições nada boas.

O projeto depende de doações por pessoas que se sensibilizam com a causa. Para isso o grupo de colaboradores promove campanhas e organiza eventos para garantir alimentação e saúde de 101 cães que vivem em abrigos.

Você já esteve em algum abrigo para cães e gatos? Já conheci alguns e posso dizer que a vida desses animais não é nada fácil. São animais sem raça, outros de raça que foram abandonados. Filhotes, velhinhos, deficientes físicos, bonitos e feios. O que eles têm em comum é a falta de um lar.

Infelizmente, escuto relatos tristes na clínica onde trabalho. De pessoas que compram um cão ou gato de raça num lugar qualquer, mas decidem “devolver” o animal quando ele adoece. Alguns  tentam se justificar: “ O tratamento vai custar mais caro do que ele. Melhor então devolvê-lo ou trocá-lo!”.  Isso acontece também com animais adotados. Qualquer imprevisto ou gasto além do planejado pode ser motivo de devolução. Já me perguntaram até se uma eutanásia não seria mais barata do que uma cirurgia para salvar a vida do bichano. Outros se cansam quando o animal envelhece e começa a sujar a casa e dar mais despesas com remédios e tratamentos. Essa é uma das partes tristes da minha rotina…

Nós, veterinários, dependemos do proprietário para cuidar corretamente do animal. Felizmente, tenho clientes especiais, que fazem o possível e o impossível pelo bem estar de seus amigos peludos. Amor e cuidado independem de questões financeiras, dependem mais do comprometimento e do respeito pelo animal que escolhemos para nos fazer companhia. Um cão ou gato de estimação é para a vida toda. Por isso temos obrigação de cuidar de sua saúde. Eles dependem da gente e nos recompensam de maneira muito especial.

Quer nos ajudar?

No fim deste ano o Projeto Cão sem Fome vai organizar um bazar de Natal para arrecadar fundos para o abrigo. Aceitamos doações de roupas novas e usadas, sapatos, roupas de cama, mesa e banho, além de utensílios de cozinha. É possível comprar sacolinhas de Natal que custam entre R$10 e R$30 com opções de produtos para ajudar os cães do abrigo. Mais informações aqui.

Se não puder com doações, compartilhe este post.

Eu e os amigos do Projeto Cão sem Fome agradecemos!

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Uma história, quatro finais felizes

A mãe no dia em que foi resgatada

Num final de tarde há seis meses, meu cunhado Dalton me telefonou desesperado por ter encontrado, numa estrada de terra em Ribeirão Pires (Grande São Paulo), uma cadela e seus quatro filhotes, sendo que um deles já estava morto – provavelmente atropelado. Ele ficou de pensar no que fazer, mas depois de poucos minutos me ligou novamente para contar que os “sobreviventes” já estavam em seu carro… Ainda sem destino, porém seguros.

Algumas horas depois ele me buscou em casa. A ideia era levá-los para a clínica veterinária onde trabalho para que eu os examinasse. Ao entrar no carro, a mãe logo apoiou a cabecinha em minha perna e foi assim durante todo o trajeto. Os filhotes dormiam no banco de trás, sem saber para onde o destino os levaria. Na verdade, nós também não sabíamos. Não podemos hospedar animais na clínica e nem teríamos espaço para abrigar, confortavelmente, quatro cães.

Ao chegar lá, eles comeram desesperadamente, beberam toda a água que puderam e espalharam xixi pela sala toda, pois a alegria era tanta que seus rabinhos não paravam de sacudir. Uma mãe judiada amamentava seus três pestinhas cheios de dentes com os olhos fechados de tanto incômodo, mas era boazinha demais para negar alimento a suas crias.

Os filhotes, ainda sem destino

Depois de cuidar dos bichinhos, os fotografei e postei as imagens no Facebook. No mesmo dia, minha querida amiga Rose se interessou  pela única filhote fêmea. E, no dia seguinte, a levou para casa cheirosa e feliz. Foi a primeira comemoração.

Levei a mãe e seus dois machinhos para um hotelzinho, onde ficaram até cada um encontrar o início de uma história muito feliz. Minha maior preocupação era encontrar um lar para a dócil mãe. Para os filhotes, belos e pequeninos, não seria difícil encontrar interessados.

Conforme previsto, consegui doar os dois machinhos. Um cliente muito querido e um amigo da Rose foram conhecer os pequenos e os levaram para suas casas imediatamente. Cada adoção uma alegria, um momento especial!

Para minha surpresa, em poucos dias apareceu uma pessoa interessada na mãe. A jornalista Giovana Sanchez viu a foto da cachorra no perfil do Facebook da minha irmã, que compartilhou as fotos com seus amigos, que compartilharam com mais amigos e assim por diante. Trocamos algumas mensagens e isso me trouxe mais esperança. Estava certa de que, “ao vivo”, aquela cadelinha de olhar cativante e orelhas compridas iria cativá-la em questão de instantes. Esperávamos, então, o grande encontro.

Esperando os melhores amigos que poderiam ganhar!

Após alguns dias, Giovana foi conhecer a cachorra e caiu de amores por ela à primeira vista! Pedi para que ela esperasse eu finalizar o tratamento da pele para que eu pudesse doá-la saudável e com uma aparência melhor. Não deu tempo. Giovana estava tão ansiosa para tê-la em casa que preferiu não esperar. Levou a “Mel” com a pele feia, algumas feridas e umas falhas na pelagem. Ela não se importava. Afinal de contas, o amor é assim. E Giovana cuidou tão bem da “Mel” que ela se transformou numa cachorra linda e com pelo brilhante, mas com a mesma doçura, calma e olhar de gratidão.

Mel, Nina, Luc e Spike tiveram muita sorte. São amados e bem cuidados por pessoas especias que nunca os abandonarão. Sinto orgulho dessa história e agradeço imensamente a cada um: Dalton, Rose, Giovana, Anderson, Oswaldo e Dona Olga. Vocês são os responsáveis por essa história tão feliz!

Leia o outro lado da história, contada pelas queridas Giovana e Rose.

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