Uma nova etapa com o Manolo – o Alzheimer

Manolo 1

Manolinho está com 13 anos, caminhando para os 14 em dezembro, e há quase 5 anos tem diabetes. A diabetes é uma das doenças que gera mais estresse oxidativo, ou seja, o envelhecimento das células do organismo. Com isso, o paciente fica mais predisposto à doenças degenerativas.

Algo muito comum em cães diabéticos é a perda da visão. Sabemos que o risco de cegueira em pacientes diabéticos é altíssimo logo no primeiro ano da doença. Felizmente, no Manolinho a cegueira demorou a chegar. Só no início do ano passado percebi que ele apresentava dificuldade em enxergar de perto, mas de longe a visão ainda era boa. Conseguia andar em casa com facilidade, mas já manifestava desconforto ao ficar num ambiente desconhecido.

De repente, começou a latir na madrugada. Inicialmente pensei que era apenas para chamar atenção, pedir comida, ou qualquer outra coisa. Sou veterinária mas com os meus cães é diferente. O raciocínio, muitas vezes, não é tão lógico, pois o emocional atrapalha. Dias depois pensei que além da diabetes e do probleminha crônico de pele, a dermatite atópica, Manolo poderia estar com disfunção cognitiva.

Essa síndrome acomete cães e gatos de idade avançada, sendo um processo degenerativo e progressivo. O que ocorre é a “morte” das células do sistema nervoso, causando mudanças comportamentais, que inicialmente podem ser imperceptíveis, mas com o avanço da doença, se tornam muito evidentes.

Lembrando que a diabetes é uma doença que “envelhece” o organismo, acredito que tenha colaborado muito para a evolução dessa doença no meu Manolo.

A disfunção cognitiva pode se manifestar de muitas maneiras e, às vezes de maneira silenciosa. Por essas e outras razões, eu e a Ju, minha sócia, focamos muito na medicina preventiva em nossos pacientes. Os sinais da disfunção cognitiva podem ser olhar fixo do paciente para o horizonte, encostar a cabeça na parede, dificuldade para sair de algum lugar da casa, ficar menos responsivo a estímulos (Ex: demorar a perceber quando chegamos em casa e diminuir as brincadeiras). A evolução da doença pode trazer sintomas como no Alzheimer, quando o paciente já não reconhece mais as pessoas da casa, urina e defeca em locais inapropriados e não responde a comandos.

Inicialmente foram os latidos na madrugada, com o tempo notamos a visão ainda mais prejudicada, problemas com audição e desorientação. Encontrávamos o Manolo em locais que ele não costuma ficar, às vezes, com a cabeça encostada na parede, mas ainda assim interagia conosco. As medicações ajudaram muito e os latidos cessaram rapidamente. Ele conseguia dormir melhor e respondeu bem por um tempo. Entretanto, a doença foi evoluindo e hoje convivemos com um outro Manolo.

Há alguns meses ele não interage mais conosco. Faz xixi em locais que antes não fazia, nunca mais abanou o rabo, nem demonstrou alegria. Antes gostava de brincar com a Amora, hoje em dia mal percebe quando ela está na casa dos meus pais, onde ele mora. Pela falta da visão, não passeia como antes. Fica inseguro e gosta sempre de andar encostado nos portões das casas ou nos muros. Quando vou à casa dos meus pais, praticamente todos os dias e às vezes mais de uma vez no mesmo dia, ele ainda percebe que estou lá. Fica esperando na porta porque sabe que o levo para passear. Chega a raspar a porta para me chamar. É essa a interação que temos e a certeza de que ele ainda é ligado a mim.

O que não muda é o apetite e a vontade de passear. Ele está sempre faminto e ainda apronta muito. Rouba comida e não nega nada – chegou a roubar e comer num mesmo dia, uma caixa de quibe e uma de hambúrguer congelado. Comeu tudo e não passou mal! Lógico que a glicemia foi “parar nas alturas” e eu, mais uma vez, quase enlouqueci. Mas, como um bom Beagle, “estômago de avestruz”, Manolo tirou de letra.

Estamos numa fase difícil, mas ainda assim de aprendizado. Ganhei o Manolo no ano em que me formei e sempre digo que ele faz parte da minha escola da vida. Nem sei mensurar sua importância em minha vida, tudo o que me ensinou – não apenas com os problemas de saúde, mas em saber lidar com tantas situações e compreender sentimentos que antes não entendia. Sinto que estamos nos despedindo e por mais triste que seja, tenho aceitado que seja dessa forma. Entretanto, enquanto ele tiver o mínimo de qualidade de vida e estiver ligado a mim, vamos seguindo.

Termino esse post agradecendo a ajuda imprescindível das minhas irmãs e dos meus amigos do Invet, que o acolheu por tantas vezes que precisamos. Mesmo o Manolo roubando os “lanchinhos” de todos os veterinários que já passaram por lá, ainda assim é recebido com muito amor. E eu só tenho a agradecer.

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  1. #1 por Lilian em agosto 17, 2017 - 11:53 pm

    Chorando aqui…

  2. #2 por Marisa em setembro 2, 2017 - 3:48 pm

    Muito triste mesmo Tati…
    Eu me pego muitas vezes na tristeza também só de pensar que a Lalinha já está com 14 aninhos…
    Ela é minha princesinha linda ❤
    Tenho deixado de ficar a noite fora só por causa dela, e nas minhas folgas procuro ficar bastante tempo junto

    Nas orações peço muito pela saúde dela sempre !!
    Esse é o amor mais puro e verdadeiro que existe !!
    Que nossos doguinhos tenham muitos anos de vida !!!

    bjuss Tati e força ai viu ?

  3. #3 por Elisangela correa em janeiro 4, 2018 - 1:51 am

    Oi!
    Descobri que minha cachorrinha estava diabética, e desde então estamos com uma endo e uma nutri vets…mas ainda tenho muitas dúvidas…
    A endo falou que a glicemia dela deveria ficar entre 150 a 300, o que vc me diz com dia experiência?
    Dou AN tbem bem equilibrada, 2x dia 8:00 e as 20h com 2 UI de insulina depois das refeições..e mais nada!
    A dieta dela é de 45% proteina, 5% de miudos(que ainda não incluímos), uma gordura boa, sal e vegetais…
    Ela é uma Schinauzer que pesa 6kgs…come 200g em cada refeição…
    😍😍🙏🏻🙏🏻

    • #4 por tattitie em julho 25, 2018 - 12:33 pm

      Olá, Elisangela. Desculpe não responder sua memsagem antes. Com meu Manolo, fico mais contente quando a glicemia dele está abaixo de 250mg/dl. Atualmente meu pequeno está bem difícil para comer e às vezes recusa até a comidinha. Então tenho que variar e a glicemia oscila muito. A quantidade de 400 gramas/dia está próximo do que faria, desde que ela esteja mantendo o peso ideal. Um beijo e boa sorte com ela 🙂

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