Arquivo de julho \02\UTC 2016

A vida (feliz) de um paciente com câncer

Esse breve relato é sobre a vida de um paciente com câncer. E já inicio esse post dizendo que não foi a tristeza que me inspirou a escrever. Foi a alegria.


Hoje não quero falar de tratamento e prognóstico. Quero falar de vida. Coco, um pequeno maltês que veio ainda filhote da Espanha com minha prima Roberta, atualmente tem 8 anos e em setembro de 2015, passou por uma amputação de um dedinho da pata dianteira, devido um tumor maligno. Fez quimioterapia e em janeiro foi submetido a mais uma cirurgia devido um gânglio aumentado. Em abril desse ano, infelizmente, o câncer voltou. No mesmo membro operado e dessa vez ainda maior. Foi indicado amputação alta do membro (desde o cotovelo) como tentativa de evitar o crescimento rápido desse tumor.

Assim como ela, também tive dúvida do que fazer. Existem casos de câncer que causam muita dor ao paciente, fazendo com que o mesmo, muitas vezes, inutilize o membro acometido. Há casos de tumor ósseo, por exemplo, que o animal sente tanta dor no membro que já não apoia. E casos assim nos encorajam a encarar a amputação como uma maneira de cessar a dor e proporcionar mais qualidade de vida ao paciente. Mas não é esse o caso do Cocô.

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A dificuldade da minha prima em lidar com a possível amputação, era ver o Coco fazendo, diariamente, suas atividade como se nada o tivesse incomodando. Por outro lado, acompanhávamos esse tumor crescendo a cada dia. Conversei com inúmeros colegas e expus a minha prima que estava envolvida demais para saber o que fazer.

Decidi então acompanha-la à oncologista para tentar ajuda-la decidir. A indicação foi amputação associada a uma medicação que consegue, muitas vezes, inibir o crescimento desse tipo de tumor e até mesmo fazer com que regrida. A outra opção seria não operar, correndo todos os riscos de não retirar um câncer, e iniciar a medicação apenas.

A Roberta optou por não operar e assumir o risco que essa decisão implica. Essa escolha foi baseada em proporcionar qualidade de vida, independente do tempo que ele tenha. O Coco não sofre. A Roberta sofre por ele.

Essa decisão foi tomada há pouco mais de um mês e há duas semanas o encontrei novamente. Dessa vez, o encontrei na praia e com o tumor bem menor. Sabemos que o tumor está ali. Sabemos também que pode voltar a crescer e até mesmo se espalhar. Felizmente o Coco tem o acompanhamento da oncologista Karine Germano, que soube conduzir tudo da melhor maneira possível. Expondo todas as possibilidades e também aceitando e compreendendo a decisão da Roberta.

O Coco é um cachorrinho de sorte, ele viaja, anda na mochilinha de bicicleta, vai para o trabalho com a Rô e adora pisar na areia. Ele dança com as duas patinhas de trás e nunca deixou de ser um cachorrinho feliz.


No dia que passamos juntos na praia ele fez tudo isso. Tomou sol, cavou e correu na areia. E então tive a certeza que independentemente do que aconteça daqui pra frente, a decisão da minha prima já valeu à pena. Vê-lo feliz me inspirou a escrever esse breve relato. E afirmar a mim mesmo, que o que vale mesmo à pena é viver a vida feliz. Que seja por poucos ou por muitos anos. Ser feliz é o que importa. E o Coco segue vivendo muito feliz.

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