O mais perto que cheguei de uma onça pintada

Wilson - arquivo pessoal

Wilson – arquivo pessoal

Em agosto de 2015, eu e meu marido tivemos o privilégio de passar 3 dias no Pantanal. Nos hospedamos em um barco hotel, de onde saímos de manhã e a tarde para ver os animais. Entre eles, a quase extinta onça pintada.

Além de nós e um amigo, os outros turistas eram estrangeiros – americanos, europeus e muitos japoneses. Vimos pássaros maravilhosos como a arara azul e o tuiuiú, além de jacarés, ariranhas, capivaras e umas cinco onças pintadas: animais que, geralmente, só vemos em fotos, estavam lá, perto de nossos olhos e em seu habitat natural.

O passeio segue normas de sempre respeitar os animais.  O barquinho que leva os turistas sai pelo rio e quando há sinal da onça, os motores são desligados e todos podem ficar numa distância mínima de 20 metros. Dessa forma, elas não se assustam e todos têm a chance de admirá-la.

A primeira onça que avistamos apareceu entre as folhagens. E cada vez que as plantas se mexiam meu coração disparava. Sentia e escutava as pessoas dos barquinhos ao lado da mesma maneira. Um suspiro, um olhar de felicidade – todos na expectativa de ver ao menos um pedacinho dela. Essa foi apenas a primeira onça e enxergar as cores bem de longe já me deu uma sensação de gratidão. Estava bem pertinho, podíamos escutar o barulho dela.

Wilson

Wilson – arquivo pessoal

No decorrer desses dois dias, vimos mais umas 4 onças. Entre elas, o Wilson. Um macho de aproximadamente 7 anos e 110kg (informações coletadas pelo Projeto Panthera, que protege as onças da região). Avistamos Wilson numa bancada de areia. Ficamos mais de  2 horas observando cada movimento.  Wilson andou, deitou, foi até a beira do rio para beber água, nos proporcionando um espetáculo da natureza. Talvez uma das cenas mais incríveis que já assisti. Eram mais de 15 barcos ao redor e o barulho vinha apenas das máquinas e câmeras fotográficas. Ficamos por horas admirando e, talvez, agradecendo a natureza em silêncio. Eu estava.

Hoje, em especial, me lembrei desse dia. Pensei na onça Juma com dor e tristeza. Também senti raiva e indignação. Tive remorso da vez que nadei com um golfinho e de já ter me aproximado de animais selvagens em algumas situações. Acho que estamos, cada vez mais, invadindo o espaço desses animais e, “usando-os” em benefício próprio. Sem respeitar seu direito de liberdade.

Muitas vezes, como hoje, me sinto angustiada sem saber o porquê. Mas se pararmos para pensar que, sim, nós fazemos parte da natureza, é difícil não sentir tristeza com tamanha crueldade. Até quando seremos tão egoístas e mesquinhos? É esse o mundo que queremos viver? É justo os animais serem punidos por atos humanos inconsequentes? Somos parte da natureza e devemos tratá-la com muito respeito.

Hoje o mundo todo sabe como nós, brasileiros, tratamos nossos animais. Sinto vergonha. Sinto ódio e muita tristeza. Hoje, Juma, meu amor é todo seu. Descanse em paz.

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  1. #1 por Roberta Marques em junho 22, 2016 - 2:50 pm

    Surreal, triste, absurdo! Descanse em paz mesmo!

  2. #2 por Luciane em junho 22, 2016 - 5:05 pm

    Lindo texto e compartilho do mesmo sentimento.
    Pena o Pedro ficar tão feliz em ver os animais ao vivo da única forma que posso apresentá-los…atrás de vidros e jaulas…amo vc!

  3. #3 por bel em junho 23, 2016 - 12:20 am

    Que lindo Tati! Devemos nos envergonhar em acharmos q ser forte e agredir a vida pois forte e o q protege acolhe e nao projeta a maldade no indefeso.

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