Arquivo de junho \07\+00:00 2012

Um dia triste, outros felizes

Há 4 dias a Tiffany nos deixou. Conheci a “ferinha” no dia 8 de maio. Ela chegou à clínica com aquela carinha de quem pede carinho, mas logo fui avisada por seus “donos” que era melhor ter cuidado com ela. A danadinha era brava mesmo!

Durante a internação ela mordeu cada uma de nós. Meu dedo, a mão da Ju (minha sócia) e a mão da Mari (nossa plantonista). Como somos insistentes e não nos ofendemos com isso, continuamos nos aproximando e interagindo cada vez mais com Tiffany. E em poucos dias nos afeiçoamos a ela. Aquela cadelinha conseguiu nos conquistar!

Tiffany era portadora de uma doença grave, uma anemia crônica, e por isso foi submetida a quatro transfusões de sangue. Tomava uma série de medicamentos, não se alimentava direito e por esses motivos ficava conosco na clínica diariamente. Voltava para casa apenas para passar a noite, já que nossa clínica não funciona como 24 horas. Júlio, Carina e Carla, seus melhores amigos, nunca reclamaram de nada. Sempre foram extremamente carinhosos com a pequena e muito otimistas. E a “garota” reconhecia tudo isso, era evidente.

Na última sexta-feira, dia 1, ela passou mal na madrugada e ficou internada num hospital veterinário. E no domingo, estava trabalhando quando recebi um telefonema do Júlio sobre o falecimento da Tiffany. Não tive tempo para processar a notícia, mas no fundo eu já sabia do risco – o caso dela era realmente muito grave.

Meu plantão de domingo foi corrido, com muitos atendimentos e algumas emergências. Mas voltei a pensar nela quando cheguei em casa. Fiquei triste como sempre, mas não chorei (coisa rara. Minha colega Ju sabe bem disso…). Cheguei até a pensar: ” Acho que estou conseguindo lidar melhor com essas perdas… Que bom!”.

No dia seguinte o Julio e a Carina vieram nos visitar. Se a Tiffany estivesse viva viria nos receber com a cabecinha baixa e o “cotoco” do rabo balançando sem parar. E aí descobri que no dia anterior estava apenas cansada e atarefada demais, por isso não tinha “processado” a perda da Tiffany. Mas ao encontrá-los desabei e continuo angustiada pela perda da pequena.

Quando ainda era estudante, uma das minhas melhores amigas da faculdade trabalhava com proteção animal e freqüentemente nos relatava histórias trágicas e tristes. Ela me dizia que acumulava sofrimento para então sofrer de uma vez, porque a rotina não a deixava parar e ficar deprimida. Parece racional demais, mas não deixa de ser verdade. Aconteceu comigo e sem querer. Chorei pela Tiffany, pela querida Beja e por tantos outros que nos deixaram.

E assim vamos colecionando historias tristes e outras muito felizes. A Tiffany viveu por 10 anos graças ao amor e cuidado dos seus donos. A gatinha Beja teve sempre por perto proprietários dedicados e amorosos, que estiveram com ela até o fim. E mesmo que elas não estejam mais conosco, proporcionaram muitos momentos de alegria.

E a história da Tiffany e da Beja, foram sim histórias muito felizes. E minha maior alegria foi saber que os proprietários da Tiffany querem um novo amigo, um cãozinho de muita sorte que será adotado. E essa será mais uma história de um cãozinho muito, mas muito feliz!

A gatinha Beja

 

 

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