Arquivo de dezembro \29\+00:00 2011

Os meus desejos para 2012

O ano novo não deixa de ser apenas um dia após o outro. Eu, como muitos, aproveito essa época para renovar os sonhos, planejar coisas novas, mudar alguns hábitos, agradecer, reconhecer e acreditar.

Prefiro e quero acreditar na bondade, na honestidade, na confiança, no altruísmo, na generosidade e no amor. Desprezo o egoísmo, a maldade, a violência, o abandono e o desamor.  Nós humanos nos dividimos em sentimentos tão antagônicos, enquanto os animais continuam nos ensinando sobre a gratidão e o amor.

Ultimamente muitas notícias nos chocaram, por tanta maldade e covardia. Não assisto, não escuto e prefiro não compartilhar histórias como essas. O sofrimento de um animal é o meu ponto fraco. Acredito na lei do retorno, onde cada um recebe o que planta.

Quando escolhi ser veterinária sabia que iria lidar com coisas tristes, sabia que seria difícil, mas compensatório.  Achava que por amar demais não teria coragem de encarar essa profissão. Mas esse amor me dá força quando preciso. Sempre digo que tenho sorte por trabalhar com o que realmente tenho paixão, com os animais e para eles.

Aproveito esse canto do focinho para agradecer e desejar. Agradeço aos meus queridos clientes, por confiarem em mim e por cuidarem tão bem de seus pets. Agradeço pela dedicação e pelo amor de cada um por seus bichinhos. Agradeço aos que cuidaram dos seus cães e gatos até o fim, agradeço especialmente aos que nunca os abandonaram.

Um agradecimento aos meus pacientes, tão queridos e amados, que me proporcionam alegria sem fim. Aos medrosos, valentes, carinhosos, bagunceiros, bravos e encantadores. Cada um especial a sua maneira. E cada um que nos deixou nesse ano nunca será esquecido: Jully, Balu, VictorMilkZeca, Mel, Willy, Donald, Billy, Chinin, Mel, Vitória, Low, Aquiles, Arena, Nike, Simba, Soneca entre outros tão especiais. E no dia de hoje mais um anjinho nos deixou, o poodle de 15 anos da Ju, o Willy.

Agradeço a minha querida sócia Juliana, pela parceria e amizade. Agradeço aos meus cães por me proporcionarem tanto amor. Agradeço as pessoas da minha vida: família, namorado e amigos. Vocês são minha maior riqueza.

Finalizo então com meus desejos para 2012. Desejo boas notícias, desejo paz e igualdade, desejo segurança, desejo reciprocidade, desejo harmonia e esperança. Para os que amam, respeitam e não maltratam os animais, desejo saúde, solidariedade, união, realizações, paz, alegria de viver, generosidade, compreensão, prosperidade e amor. Para os nossos melhores amigos pets, desejo saúde, diversão, companhia, passeios, natureza, petiscos, bons cochilos e boas espreguiçadas, brincadeiras, amor e carinho.

Mas o meu maior desejo é que fossem eternos, e que não nos deixassem jamais…

Que o ano de 2012 seja muito especial para todos nós!!!

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Fonte de água para gatos

 

Semana passada fui passear pela Praça Benedito Calixto e me encantei com essa fonte de água. Os amantes de gatos sabem o quanto esses bichanos adoram beber água em movimento. Alguns gostam de aproveitar os pingos que caem da torneira. Outros curtem a água  do box e alguns bebem até mesmo o líquido do vaso sanitário!

Os felinos têm muitas particularidades e são elas que os tornam ainda mais interessantes. A preguiça é uma delas. Tanto que, no inverno, alguns gatos mal saem do seu cantinho para beber água.  Por isso atendo com frequência, em épocas de frio, gatos com doenças renais e urinárias adquiridas porque beberam menos água do que deveriam.

A Insuficiência Renal Crônica (IRC) é muito frequente e pode ser diagnosticado em felinos de qualquer faixa etária, sendo mais comum em idosos. Não tem cura, apenas controle. Um gato com IRC precisa ingerir bastante água e ter uma alimentação adequada.

Outro problema bastante comum, principalmente em gatos machos e castrados, é a Doença do Trato Urinário Felino, que ocorre quando uma obstrução na uretra impede o gato de urinar. Além de dor e desconforto, uma obstrução urinária pode levar a uma insuficiência renal grave e, muitas vezes, irreversível.

Os gatos são muito espertos, mas demoram a manifestar algum sintoma. Se notar seu animal urinando ou defecando fora da caixa sanitária, fique atento! Pode ser um sinal de que algo não vai bem.

Para gatos de qualquer idade e raça, costumo indicar sempre ração de boa qualidade e estímulo da ingestão de água.  Para isso o proprietário deve deixar sempre água fresca à disposição do felino, de preferência em recipientes grandes e com água em movimento.  Sendo assim, essa a fonte de água é uma ótima opção!

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Minha querida Tamy

Tive alguns animais de estimação e certamente amei e senti muito a perda de todos. Mas a poodle Tamy era minha cadelinha especial. Branca, pequena, delicada e amorosa, ela foi minha companheira dos 12 aos 22 anos. Acredito que foi por ela que optei pela medicina veterinária. Foi por Tamy também que escolhi o tema da minha monografia de conclusão de curso: “Como lidar com a morte dos animais de estimação”, em que abordo maneiras do veterinário ajudar o  proprietário no momento da perda. 

Tamy era praticamente minha “sombra”. Vivia atrás de mim! Ficava tão radiante quando eu chegava que, segundo minha irmã Lu, até entortava o corpinho. Pedia e dava carinho, mas também sabia a hora de ficar quietinha para compartilhar meus ocasionais choros de adolescente. Mas nunca saía do meu lado.

Aos sete anos, Tamy começou a apresentar sintomas de doença cardíaca e passou a tomar, diariamente, seus medicamentos enrolados num pedacinho de pão sem nunca recusar. Acho que ela entendia que era preciso e se eu, o alvo de todo o seu amor, estava dando o remédio, ela não poderia fazer a desfeita de recusá-lo. Por três anos seguimos assim até que em meados de 2003, último ano de faculdade, notei que as coisas já não iam tão bem.

Durante a noite ela sentia falta de ar, tossia e, às vezes, não conseguia dormir. Nem eu. Então, juntas, esperávamos a crise passar. Meu professor de Cardiologia Luciano Pereira foi fundamental durante esse período. Ele não apenas cuidava da Tamy, como também me preparava para o que poderia acontecer. Luciano foi e sempre será um exemplo para mim e estou certa de que minha companheirinha não poderia estar em mãos melhores do que as dele.

Os meses passavam e novos sintomas surgiam, além da falta de ar, que se tornava cada vez mais frequente. Certo dia, Luciano me alertou: “Tati, é melhor que a Tamy não viva tanto se for para sofrer.” Ele relatou que alguns pacientes que tinham uma ligação muito especial com seus “donos” às vezes os poupavam do sofrimento e partiam no momento certo, antes que eles tivessem que considerar uma eutanásia. Para isso, eu devia entender e aceitar que não havia mais cura para minha pequenina. Eu sofria todos os dias na expectativa do que poderia acontecer com Tamy.

Certa manhã, fui medicá-la como de costume e a Tamy, pela primeira vez, recusou o remédio. Comecei a chorar e entendi que aquele poderia ser um sinal. Fui para a faculdade, busquei minha mãe na escola onde ela lecionava e, ao chegar em casa, minha irmã Luciane me chamou: “Tati, vá logo ver a Tamy porque ela não está bem!”. Corri para encontrá-la e a peguei no colo. Ela olhou para mim e, em poucos instantes, morreu nos meus braços. Tenho certeza de que ela me esperou chegar. Queria se despedir.

Saí correndo de casa para levá-la a uma clínica veterinária. Precisava que alguém confirmasse o que eu já sabia. Por falta de opção, fui parar num veterinário 24h que desconhecia. Aos prantos, entrei no consultório. O veterinário colocou Tamy na mesa e auscultou. Friamente, disse: “Está morta.” Antes mesmo de eu conseguir olhá-la de novo, o médico já estava chamando outro cliente e não voltou a me dirigir uma só palavra. Saí daquela clínica triste e revoltada. Nunca esqueci da frieza daquele homem, que jamais deveria ter escolhido ser um médico veterinário.

Embora a morte da Tamy tenha me causado uma dor sem fim, trouxe experiências que me tornaram a profissional que decidi ser. Aprendi que quando amamos demais um bicho de estimação, temos que nos esforçar para aceitar que certas doenças são incuráveis e procurar priorizar a qualidade de vida do animal. É preciso rezar ou torcer por sua saúde e não apenas por uma vida duradoura. E aprendi que nunca deveria tratar ninguém da forma que fui tratada por aquele veterinário, mas que deveria seguir sempre o exemplo do meu querido professor Luciano. E assim optei por seguir o caminho da entrega, do envolvimento e da solidariedade.

Continuo me esforçando para lidar melhor com a perda, seja dos meus animais ou dos meus pacientes. Sempre é triste e difícil, às vezes mais do que deveria.  Entretanto, após sete anos de formada tenho certeza que escolhi o caminho certo. E agradeço minha Tamy, meu anjinho da guarda, por ter me proporcionado tanto amor e alegria.

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Vamos ajudar os animais do Projeto Cão sem Fome?‏

Vamos ajudar o “Projeto Cão sem Fome”?

Desde novembro colaboro com o Projeto Cão sem Fome, criado para prestar assistência a cães abandonados, resgatados e em situação de risco em  São Paulo por meio do fornecimento de ração e cuidados com a saúde dos animais. O objetivo do projeto não é oferecer abrigo, recolher ou resgatar animais de rua, mas ajudar os cães que já vivem em abrigos – que são muitos, sendo que boa parte encontra-se em condições nada boas.

O projeto depende de doações por pessoas que se sensibilizam com a causa. Para isso o grupo de colaboradores promove campanhas e organiza eventos para garantir alimentação e saúde de 101 cães que vivem em abrigos.

Você já esteve em algum abrigo para cães e gatos? Já conheci alguns e posso dizer que a vida desses animais não é nada fácil. São animais sem raça, outros de raça que foram abandonados. Filhotes, velhinhos, deficientes físicos, bonitos e feios. O que eles têm em comum é a falta de um lar.

Infelizmente, escuto relatos tristes na clínica onde trabalho. De pessoas que compram um cão ou gato de raça num lugar qualquer, mas decidem “devolver” o animal quando ele adoece. Alguns  tentam se justificar: “ O tratamento vai custar mais caro do que ele. Melhor então devolvê-lo ou trocá-lo!”.  Isso acontece também com animais adotados. Qualquer imprevisto ou gasto além do planejado pode ser motivo de devolução. Já me perguntaram até se uma eutanásia não seria mais barata do que uma cirurgia para salvar a vida do bichano. Outros se cansam quando o animal envelhece e começa a sujar a casa e dar mais despesas com remédios e tratamentos. Essa é uma das partes tristes da minha rotina…

Nós, veterinários, dependemos do proprietário para cuidar corretamente do animal. Felizmente, tenho clientes especiais, que fazem o possível e o impossível pelo bem estar de seus amigos peludos. Amor e cuidado independem de questões financeiras, dependem mais do comprometimento e do respeito pelo animal que escolhemos para nos fazer companhia. Um cão ou gato de estimação é para a vida toda. Por isso temos obrigação de cuidar de sua saúde. Eles dependem da gente e nos recompensam de maneira muito especial.

Quer nos ajudar?

No fim deste ano o Projeto Cão sem Fome vai organizar um bazar de Natal para arrecadar fundos para o abrigo. Aceitamos doações de roupas novas e usadas, sapatos, roupas de cama, mesa e banho, além de utensílios de cozinha. É possível comprar sacolinhas de Natal que custam entre R$10 e R$30 com opções de produtos para ajudar os cães do abrigo. Mais informações aqui.

Se não puder com doações, compartilhe este post.

Eu e os amigos do Projeto Cão sem Fome agradecemos!

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