Arquivo de 15 novembro, 2011

Uma história, quatro finais felizes

A mãe no dia em que foi resgatada

Num final de tarde há seis meses, meu cunhado Dalton me telefonou desesperado por ter encontrado, numa estrada de terra em Ribeirão Pires (Grande São Paulo), uma cadela e seus quatro filhotes, sendo que um deles já estava morto – provavelmente atropelado. Ele ficou de pensar no que fazer, mas depois de poucos minutos me ligou novamente para contar que os “sobreviventes” já estavam em seu carro… Ainda sem destino, porém seguros.

Algumas horas depois ele me buscou em casa. A ideia era levá-los para a clínica veterinária onde trabalho para que eu os examinasse. Ao entrar no carro, a mãe logo apoiou a cabecinha em minha perna e foi assim durante todo o trajeto. Os filhotes dormiam no banco de trás, sem saber para onde o destino os levaria. Na verdade, nós também não sabíamos. Não podemos hospedar animais na clínica e nem teríamos espaço para abrigar, confortavelmente, quatro cães.

Ao chegar lá, eles comeram desesperadamente, beberam toda a água que puderam e espalharam xixi pela sala toda, pois a alegria era tanta que seus rabinhos não paravam de sacudir. Uma mãe judiada amamentava seus três pestinhas cheios de dentes com os olhos fechados de tanto incômodo, mas era boazinha demais para negar alimento a suas crias.

Os filhotes, ainda sem destino

Depois de cuidar dos bichinhos, os fotografei e postei as imagens no Facebook. No mesmo dia, minha querida amiga Rose se interessou  pela única filhote fêmea. E, no dia seguinte, a levou para casa cheirosa e feliz. Foi a primeira comemoração.

Levei a mãe e seus dois machinhos para um hotelzinho, onde ficaram até cada um encontrar o início de uma história muito feliz. Minha maior preocupação era encontrar um lar para a dócil mãe. Para os filhotes, belos e pequeninos, não seria difícil encontrar interessados.

Conforme previsto, consegui doar os dois machinhos. Um cliente muito querido e um amigo da Rose foram conhecer os pequenos e os levaram para suas casas imediatamente. Cada adoção uma alegria, um momento especial!

Para minha surpresa, em poucos dias apareceu uma pessoa interessada na mãe. A jornalista Giovana Sanchez viu a foto da cachorra no perfil do Facebook da minha irmã, que compartilhou as fotos com seus amigos, que compartilharam com mais amigos e assim por diante. Trocamos algumas mensagens e isso me trouxe mais esperança. Estava certa de que, “ao vivo”, aquela cadelinha de olhar cativante e orelhas compridas iria cativá-la em questão de instantes. Esperávamos, então, o grande encontro.

Esperando os melhores amigos que poderiam ganhar!

Após alguns dias, Giovana foi conhecer a cachorra e caiu de amores por ela à primeira vista! Pedi para que ela esperasse eu finalizar o tratamento da pele para que eu pudesse doá-la saudável e com uma aparência melhor. Não deu tempo. Giovana estava tão ansiosa para tê-la em casa que preferiu não esperar. Levou a “Mel” com a pele feia, algumas feridas e umas falhas na pelagem. Ela não se importava. Afinal de contas, o amor é assim. E Giovana cuidou tão bem da “Mel” que ela se transformou numa cachorra linda e com pelo brilhante, mas com a mesma doçura, calma e olhar de gratidão.

Mel, Nina, Luc e Spike tiveram muita sorte. São amados e bem cuidados por pessoas especias que nunca os abandonarão. Sinto orgulho dessa história e agradeço imensamente a cada um: Dalton, Rose, Giovana, Anderson, Oswaldo e Dona Olga. Vocês são os responsáveis por essa história tão feliz!

Leia o outro lado da história, contada pelas queridas Giovana e Rose.

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Mel – por Giovana Sanchez

O início da história de Mel e sua Giovana

Eu sempre gostei de cachorro. Mas depois de começar a morar sozinha – e de sentir muito a falta do companheiro Puffy, que me viu crescer e acompanhou a família por 18 anos – eu estava convencida de que demoraria um tempo para ter um amigo cão de novo.

Até que, um dia, aparece no mural do meu facebook uma foto linda de um filhote, daquelas que te fazem dizer “Ounnnnn” bem alto no meio trabalho. Meu chefe estava numa campanha “Adota, Giovana” e postou a foto de uma amiga dele que havia resgatado os lindinhos de um acostamento de estrada no interior de São Paulo.

Eu sabia que não daria conta de cuidar de um pequenino morando sozinha. Mas, né, não custa olhar as fotos. Quando virei a página do álbum, vi a foto da mãe dos filhotes. Fiquei arrepiada e apaixonada. Queria ela pra mim!

Mel no aconchego do seu lar

Mas calma, Giovana, vamos pensar! Ela tinha um tamanho bom para apartamento e não exigia o cuidado e a atenção que um filhote precisa. Além disso, ela parecia doce e muito mansa. Tipo, perfeita!

Liguei no mesmo dia pra Tati, e perguntei sobre a cadela. “Ela é tão fofa e meiga que coloquei o nome de Serena”. Pronto, no fim de semana seguinte lá estava com a minha mãe no canil pra conhecer a futura Mel.

A mãe foi o caminho inteiro dizendo que eu precisava ter cuidado, porque cachorro de rua a gente não conhece e que ela era adulta e poderia ter doenças e blá blá blá. Depois que os donos do canil abriram a portinha e nos deparamos com aquela coisa linda que rebola toda quando fica feliz, minha mãe perguntou: ‘podemos levar ela agora?’.

Acabei voltando sem ela naquele dia, mas com a certeza de que dali a pouco tempo a levaria pra sempre. Num dia antes do meu aniversário, fomos toda a família buscar a Mel. Compramos uma caminha vermelha, com coleira e potes da mesma cor. Até dona do canil ficou emocionada com a reunião familiar pra levar a peluda, a quem ela já tinha se apegado. E eu sabia que tinha acabado de ganhar o melhor presente de aniversário da vida.

A doce Mel

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Minha história com a Nina – por Rose Zacardi

Nina posando para a foto que encantou a Rose

Todos sabemos que várias pessoas se relacionam, namoram e até casam pela internet atualmente, mas nunca imaginei adotar um cão utilizando tanta modernidade. Estava no Facebook quando uma amiga veterinária postou fotos de uma fêmea muito maltratada e magra com  três filhotes lindos e gordinhos de aproximadamente dois meses que haviam sido resgatados por seu cunhado numa estrada.

Infelizmente, um dos filhotes havia sido atropelado e o rapaz desceu para ajudar quando se deparou com a família toda. Sem saber o que fazer, trouxe a mãe e os filhotes que restaram para o consultório da sua cunhada. Imediatamente, ela examinou a família e postou as fotos para divulgação. Não sei explicar o que eu senti quando vi aquela foto… Parecia que aquele filhote estava olhando para mim…. Chorei muito na frente do computador e disse ao meu marido: “Acabei de ser adotada!”. Meu marido não acreditou, pois temos três cães (Jessie/Yorkshire, Luna/Rottweiler, Luara/Labradora), até meu filho mais velho ver a foto e se encantar. Imediatamente ele me perguntou de quem era aquele filhote e, sem pensar, eu respondi: “Se for fêmea é nossa e é a Nina”.

Eu sempre pensei muito antes de escolher o nome das minhas cachorras. Peço opinião, pesquiso, mas o impressionante é que parecia que eu já sabia tudo. Falei com minha amiga e não deu outra, era uma fêmea, e na foto da ninhada era exatamente ela, a Nina, que estava me olhando. Fui com as crianças buscá-la e confesso, muito apreensiva, pois cães adultos e tão grandes juntos com um filhote era preocupante. Eu nunca tinha adotado um cão, sempre ganhei, comprei, e a Nina me passava uma sensação imensa de gratidão no seu olhar a todo momento. Parecia que ela sabia que não podia chorar de madrugada e tinha que fazer de tudo para ser aceita pelas outras fêmeas para ganhar um lar. Todos achavam que ela era filhote de labrador e, junto com a Luara, pareciam mãe e filha. Mas quem a adotou mesmo foi a Luna. Elas se adoram!

Nina e Luna

Quem não gostou muito dessa história foi a Jessie, que como toda yorkshire é muito possessiva e ciumenta, mas aos poucos ela vai cedendo.

É uma felicidade sem tamanho ter adotado a Nina e vê-la correndo pelo quintal saudável, alegre, bem alimentada. Não dá pra imaginar que triste futuro ela e sua família teriam se aquele rapaz não tivesse parado o carro naquele dia, naquela estrada. Eu acredito muito em anjos e ele foi um anjo no caminho deles. Esta história teve um final feliz, pois a Nina, seus dois irmãos e sua mãe foram  todos adotados, já estão vacinados e ela já está até castrada.

Você pode mudar a história de um cão. Se você não pode adotar, colabore com o que puder e como der. Faça a diferença. Ao ajudar, eu garanto que você não estará fazendo a diferença apenas para um cão, mas principalmente por você e, com certeza, tornando-se uma pessoa infinitamente muito MELHOR!!!!!

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