Nossas dicas para as férias

Capitão

Estamos no final de mais um ano e já nos surgem algumas preocupações em relação aos nossos pets. Pra quem vai viajar e não tem como levar, onde deixá-los? Pra quem quer curtir as férias com seus amigos de 4 patas, pra onde ir? Praia, cidade ou campo – com o que devemos nos preocupar? Nesse post vamos tentar ajudá-los a encontrar algumas soluções.

Para os que vão viajar sem os pets:

No caso do cão, vai depender se o seu melhor amigo está acostumado a frequentar creche/ day care e se gosta ou não de conviver com outros animais. Para os mais “caseiros”, que curtem dividir cama e sofá, recomendamos cuidadores como a galera do Dog Hero, que são pessoas como nós e vocês, que amam animais e os hospedam em seu próprio lar. Vale a pena pesquisar, ver recomendações da pessoa que irá hospedar seu cão, saber se o anfitrião tem outros animais em casa, explicar a rotina e hábitos do seu companheiro e deixar o contato do veterinário que o acompanha. Antes de deixar seu pet no período da viagem, aconselhamos a deixá-lo por um ou dois dias para testar. É uma maneira de conhecer quem irá hospedá-lo e estar por perto caso algo der errado. Antes de deixar seu pet no período da viagem, aconselhamos a deixá-lo por um ou dois dias para testar. É uma maneira de conhecer quem irá hospedá-lo e estar por perto caso algo dê errado.

Para os gatinhos, quanto menos mudarmos a rotina melhor. Os felinos, diferentemente Pipodos cães, podem ficar sozinhos por até 2 dias. Nesse caso, recomendamos que deixem sempre água fresca (de preferência bebedouros que fazem a água circular), comida suficiente e uma quantidade maior de caixa sanitárias pela casa. Gatos não gostam de sujeira e podem se recusar a usar o “banheiro” no caso do mesmo estar muito sujo.  Se tiver um amigo conhecido do bichano para ir vê-lo todos os dias, melhor ainda. Outra sugestão é contratar o serviço de um “cat sitter”. Uma dica bacana e essencial, é usar em casa o difusor de ambiente chamado Felliway. Esse produto elimina um odor similar ao odor facial do gato, que auxilia na adaptação em situações adversas,  proporcionando uma sensação de segurança e bem estar.

Para os que vão viajar com os pets:

Capitão

Antes de reservar uma pousada, casa ou hotel, cheque se seu cão e/ou gato é realmente bem-vindo, se há custo adicional e se ele pode transitar livremente pelas áreas comuns. Há casos de locais que aceitam animais, mas apenas dentro do quarto. Já outros lugares limitam o animal pelo porte. Recentemente fiz uma viagem com os meus cães para Visconde de Mauá, onde já estive algumas vezes, e chegando lá descobri que cães foram proibidos em algumas trilhas. Antes de viajar leve seu pet para uma consulta de rotina e/ou converse com seu veterinário sobre quais cuidados tomar e o que levar. É importante ter em mãos medicações que seu pet já tenha usado e que pode, eventualmente, precisar. Cães de pelo longo podem se sentir mais confortáveis com o pelo tosado. No caso dos animais que enjoam no carro, é possível medicar para aliviar o desconforto. Ah, e não deixe de checar se a vacinação e vermifugação está em dia, e levar a carteira de vacinação com você!

Praia,cidade ou campo, quais doenças prevenir?

Infelizmente alguns mosquitos servem de vetores para um monte de doenças, como a Leishmaniose (que acomete também a gente) e Dirofilariose (doença do “verme do coração”), e eles podem estar em todos os lugares. Seja na praia, na cidade ou no campo, as recomendações são as mesmas. Usar produtos que protejam seu amigo contra pulgas, carrapatos e mosquitos.

Tanto para o cão, quanto para o gato, nossa principal escolha é a coleira da Bayer Seresto. Essa coleirinha não tem cheiro, pode molhar, não é tóxica e tem sistema anti-enforcamento caso o animal se “enrosque” em algum lugar. O custo imediato pode ser um pouco mais alto, mas a coleira dura 8 meses. Vale muito a pena!

Como se divertir com seu pet (no caso o cão) na cidade de SP:

Os parques de SP são sempre os programinhas mais conhecidos e preferidos dos loucos (no bom sentido) por cães. Recomendamos sempre o uso da coleira, salvo em parques com locais apropriados e cercados, que impeçam uma fuga inesperada. É comum escutarmos de um proprietário que costuma andar com seu pet solto, que o mesmo é bonzinho e não morde. O risco é que esse cão bonzinho que não morde, pode se aproximar de um cão na coleira, que não é bonzinho e morde, e sofrer e/ou causar consequências sérias e, às vezes, fatais. Não corram esse risco. Em locais abertos mantenham sempre seu melhor amigo na coleira. Durante o passeio, preste atenção na respiração do cão e ofereça água com frequência. Em época de calor é muito comum atendermos pacientes com hipertermia (aumento de temperatura corpórea, que pode ser fatal) e manifestações respiratórias, especialmente nos cães braquicefálicos (Bulldog, Pug, Boxer, Boston Terrier, entre outros).

Snow, no Le Pain Quotidien

Muitos bares, cafés e restaurantes aceitam animais de estimação. Portanto, dá para estender a programação com seu melhor amigo. Algumas opções que gosto: Pé no Parque, Le Pain Quotidien (para um bom café da manhã), Cadillac Burger na Mooca e os restaurantes da Praça Benedito Calixto.

Para os mais aventureiros e que gostam de SUP (Stand Up Paddle), um lugar bacana para remar com seu melhor amigo é o SUPorte, no Riacho Grande. O lugar é super bonito e arborizado. Além da remada, dá pra fazer picnic e até um churrasquinho às margens da represa.

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Uma nova etapa com o Manolo – o Alzheimer

Manolo 1

Manolinho está com 13 anos, caminhando para os 14 em dezembro, e há quase 5 anos tem diabetes. A diabetes é uma das doenças que gera mais estresse oxidativo, ou seja, o envelhecimento das células do organismo. Com isso, o paciente fica mais predisposto à doenças degenerativas.

Algo muito comum em cães diabéticos é a perda da visão. Sabemos que o risco de cegueira em pacientes diabéticos é altíssimo logo no primeiro ano da doença. Felizmente, no Manolinho a cegueira demorou a chegar. Só no início do ano passado percebi que ele apresentava dificuldade em enxergar de perto, mas de longe a visão ainda era boa. Conseguia andar em casa com facilidade, mas já manifestava desconforto ao ficar num ambiente desconhecido.

De repente, começou a latir na madrugada. Inicialmente pensei que era apenas para chamar atenção, pedir comida, ou qualquer outra coisa. Sou veterinária mas com os meus cães é diferente. O raciocínio, muitas vezes, não é tão lógico, pois o emocional atrapalha. Dias depois pensei que além da diabetes e do probleminha crônico de pele, a dermatite atópica, Manolo poderia estar com disfunção cognitiva.

Essa síndrome acomete cães e gatos de idade avançada, sendo um processo degenerativo e progressivo. O que ocorre é a “morte” das células do sistema nervoso, causando mudanças comportamentais, que inicialmente podem ser imperceptíveis, mas com o avanço da doença, se tornam muito evidentes.

Lembrando que a diabetes é uma doença que “envelhece” o organismo, acredito que tenha colaborado muito para a evolução dessa doença no meu Manolo.

A disfunção cognitiva pode se manifestar de muitas maneiras e, às vezes de maneira silenciosa. Por essas e outras razões, eu e a Ju, minha sócia, focamos muito na medicina preventiva em nossos pacientes. Os sinais da disfunção cognitiva podem ser olhar fixo do paciente para o horizonte, encostar a cabeça na parede, dificuldade para sair de algum lugar da casa, ficar menos responsivo a estímulos (Ex: demorar a perceber quando chegamos em casa e diminuir as brincadeiras). A evolução da doença pode trazer sintomas como no Alzheimer, quando o paciente já não reconhece mais as pessoas da casa, urina e defeca em locais inapropriados e não responde a comandos.

Inicialmente foram os latidos na madrugada, com o tempo notamos a visão ainda mais prejudicada, problemas com audição e desorientação. Encontrávamos o Manolo em locais que ele não costuma ficar, às vezes, com a cabeça encostada na parede, mas ainda assim interagia conosco. As medicações ajudaram muito e os latidos cessaram rapidamente. Ele conseguia dormir melhor e respondeu bem por um tempo. Entretanto, a doença foi evoluindo e hoje convivemos com um outro Manolo.

Há alguns meses ele não interage mais conosco. Faz xixi em locais que antes não fazia, nunca mais abanou o rabo, nem demonstrou alegria. Antes gostava de brincar com a Amora, hoje em dia mal percebe quando ela está na casa dos meus pais, onde ele mora. Pela falta da visão, não passeia como antes. Fica inseguro e gosta sempre de andar encostado nos portões das casas ou nos muros. Quando vou à casa dos meus pais, praticamente todos os dias e às vezes mais de uma vez no mesmo dia, ele ainda percebe que estou lá. Fica esperando na porta porque sabe que o levo para passear. Chega a raspar a porta para me chamar. É essa a interação que temos e a certeza de que ele ainda é ligado a mim.

O que não muda é o apetite e a vontade de passear. Ele está sempre faminto e ainda apronta muito. Rouba comida e não nega nada – chegou a roubar e comer num mesmo dia, uma caixa de quibe e uma de hambúrguer congelado. Comeu tudo e não passou mal! Lógico que a glicemia foi “parar nas alturas” e eu, mais uma vez, quase enlouqueci. Mas, como um bom Beagle, “estômago de avestruz”, Manolo tirou de letra.

Estamos numa fase difícil, mas ainda assim de aprendizado. Ganhei o Manolo no ano em que me formei e sempre digo que ele faz parte da minha escola da vida. Nem sei mensurar sua importância em minha vida, tudo o que me ensinou – não apenas com os problemas de saúde, mas em saber lidar com tantas situações e compreender sentimentos que antes não entendia. Sinto que estamos nos despedindo e por mais triste que seja, tenho aceitado que seja dessa forma. Entretanto, enquanto ele tiver o mínimo de qualidade de vida e estiver ligado a mim, vamos seguindo.

Termino esse post agradecendo a ajuda imprescindível das minhas irmãs e dos meus amigos do Invet, que o acolheu por tantas vezes que precisamos. Mesmo o Manolo roubando os “lanchinhos” de todos os veterinários que já passaram por lá, ainda assim é recebido com muito amor. E eu só tenho a agradecer.

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A vida (feliz) de um paciente com câncer

Esse breve relato é sobre a vida de um paciente com câncer. E já inicio esse post dizendo que não foi a tristeza que me inspirou a escrever. Foi a alegria.


Hoje não quero falar de tratamento e prognóstico. Quero falar de vida. Coco, um pequeno maltês que veio ainda filhote da Espanha com minha prima Roberta, atualmente tem 8 anos e em setembro de 2015, passou por uma amputação de um dedinho da pata dianteira, devido um tumor maligno. Fez quimioterapia e em janeiro foi submetido a mais uma cirurgia devido um gânglio aumentado. Em abril desse ano, infelizmente, o câncer voltou. No mesmo membro operado e dessa vez ainda maior. Foi indicado amputação alta do membro (desde o cotovelo) como tentativa de evitar o crescimento rápido desse tumor.

Assim como ela, também tive dúvida do que fazer. Existem casos de câncer que causam muita dor ao paciente, fazendo com que o mesmo, muitas vezes, inutilize o membro acometido. Há casos de tumor ósseo, por exemplo, que o animal sente tanta dor no membro que já não apoia. E casos assim nos encorajam a encarar a amputação como uma maneira de cessar a dor e proporcionar mais qualidade de vida ao paciente. Mas não é esse o caso do Cocô.

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A dificuldade da minha prima em lidar com a possível amputação, era ver o Coco fazendo, diariamente, suas atividade como se nada o tivesse incomodando. Por outro lado, acompanhávamos esse tumor crescendo a cada dia. Conversei com inúmeros colegas e expus a minha prima que estava envolvida demais para saber o que fazer.

Decidi então acompanha-la à oncologista para tentar ajuda-la decidir. A indicação foi amputação associada a uma medicação que consegue, muitas vezes, inibir o crescimento desse tipo de tumor e até mesmo fazer com que regrida. A outra opção seria não operar, correndo todos os riscos de não retirar um câncer, e iniciar a medicação apenas.

A Roberta optou por não operar e assumir o risco que essa decisão implica. Essa escolha foi baseada em proporcionar qualidade de vida, independente do tempo que ele tenha. O Coco não sofre. A Roberta sofre por ele.

Essa decisão foi tomada há pouco mais de um mês e há duas semanas o encontrei novamente. Dessa vez, o encontrei na praia e com o tumor bem menor. Sabemos que o tumor está ali. Sabemos também que pode voltar a crescer e até mesmo se espalhar. Felizmente o Coco tem o acompanhamento da oncologista Karine Germano, que soube conduzir tudo da melhor maneira possível. Expondo todas as possibilidades e também aceitando e compreendendo a decisão da Roberta.

O Coco é um cachorrinho de sorte, ele viaja, anda na mochilinha de bicicleta, vai para o trabalho com a Rô e adora pisar na areia. Ele dança com as duas patinhas de trás e nunca deixou de ser um cachorrinho feliz.


No dia que passamos juntos na praia ele fez tudo isso. Tomou sol, cavou e correu na areia. E então tive a certeza que independentemente do que aconteça daqui pra frente, a decisão da minha prima já valeu à pena. Vê-lo feliz me inspirou a escrever esse breve relato. E afirmar a mim mesmo, que o que vale mesmo à pena é viver a vida feliz. Que seja por poucos ou por muitos anos. Ser feliz é o que importa. E o Coco segue vivendo muito feliz.

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Como melhorar a vida do seu gatinho (Parte I)

Snub

Snub, o gatinho da Tatti

 

Por Juliana Didiano

Hoje falaremos um pouco sobre o mundo felino, daremos algumas dicas de como melhorar vida ao lado desta espécie que a cada dia conquista mais nossa vida e milhares de casa ao redor do mundo.

O gato foi domesticado há cerca de 4000 anos (comparado ao cão que tem 100.000), isso explica muito dos comportamentos que ainda apresenta como ser solitário, necessidade de caçar, características fisiológicas, assim como hábitos alimentares.

No Egito, no início da sua domesticação, o felino era utilizado para proteger as colheitas dos humanos de ratos que por perto andavam. Quando um gato falecia, havia um ritual fúnebre semelhante ao dos humanos.

Já na idade média, os felinos começaram a ser vistos como maus espíritos, e eram queimados junto às pessoas acusadas de bruxaria.  No fim da idade média, os gatos voltaram a ser aceitos pela sociedade, sendo vistos como animais de luxo, vistos como “ acessórios” de damas em eventos sociais. Nesta época começam a surgir, através de melhoramento genético, as primeiras raças puras.

Com a domesticação dos felinos, observamos grande mudança dos seus hábitos comparado aos seus ancestrais: reduzimos seu espaço para caça/lazer/fuga, mudamos sua dieta, mudamos seus hábitos.

Com isso, mesmo que sem querer, acabamos desenvolvendo algumas doenças/patologias nos nossos queridos gatinhos. Hoje daremos algumas dicas de como evitar que seu gato adoeça.

Ambiente

O ambiente que seu animal vive deve ter um enriquecimento ambiental: é importante ter um esconderijo para descanso, lugares no alto para que ele possa observar o ambiente do alto (eles adoram isso, e faz semelhança a estar em cima de uma árvore se estivesse na natureza).

Casinhas para gatos

Por outro lado, felinos não toleram mudanças bruscas no ambiente em que convivem, e isso costuma ser muito ruim principalmente para os gatos gordinhos, que aumentam os níveis de cortisol sanguíneo, param de comer e desenvolvem uma doença bastante grave no fígado.

Precisamos sempre achar um meio termo para fazê-los felizes e aos poucos, se necessário, fazer mudanças em casa e na rotina do proprietário. Isso também serve para aquisição de novos membros felinos ou caninos na família.

Alimentação

Recomendamos que deste filhote seu animal seja acostumado a comer dieta seca e úmida, uma vez que através desta última iremos otimizar os níveis de ingestão de água, o que será de grande valia ao longo dos anos deste animal.  Para gatos acima do peso, é muito importante trabalharmos a saciedade do mesmo, para isso recomendamos colocar o alimento seco dentro de brinquedos específicos, em que conforme o gatinho brinque, a ração caia no chão e ele se alimente. Nesta dica iremos trabalhar o controle saciedade/apetite, gasto de energia/perda de peso.

Outra dica bastante importante: felinos adoram beber água em movimento. Como nos dias de hoje água é um bem de grande valor, e que não podemos desperdiçar deixando as torneiras de casa aberta, podemos fazer uso das fontes de água. Já existem vários modelos nos pets, para todo gosto e bolso.  Importante sempre manter a água fresca e limpa, trocando diariamente.

No próximo post daremos dicas de manejo com liteiras, problemas com arranhaduras outras coisinhas mais.

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O mais perto que cheguei de uma onça pintada

Wilson - arquivo pessoal

Wilson – arquivo pessoal

Em agosto de 2015, eu e meu marido tivemos o privilégio de passar 3 dias no Pantanal. Nos hospedamos em um barco hotel, de onde saímos de manhã e a tarde para ver os animais. Entre eles, a quase extinta onça pintada.

Além de nós e um amigo, os outros turistas eram estrangeiros – americanos, europeus e muitos japoneses. Vimos pássaros maravilhosos como a arara azul e o tuiuiú, além de jacarés, ariranhas, capivaras e umas cinco onças pintadas: animais que, geralmente, só vemos em fotos, estavam lá, perto de nossos olhos e em seu habitat natural.

O passeio segue normas de sempre respeitar os animais.  O barquinho que leva os turistas sai pelo rio e quando há sinal da onça, os motores são desligados e todos podem ficar numa distância mínima de 20 metros. Dessa forma, elas não se assustam e todos têm a chance de admirá-la.

A primeira onça que avistamos apareceu entre as folhagens. E cada vez que as plantas se mexiam meu coração disparava. Sentia e escutava as pessoas dos barquinhos ao lado da mesma maneira. Um suspiro, um olhar de felicidade – todos na expectativa de ver ao menos um pedacinho dela. Essa foi apenas a primeira onça e enxergar as cores bem de longe já me deu uma sensação de gratidão. Estava bem pertinho, podíamos escutar o barulho dela.

Wilson

Wilson – arquivo pessoal

No decorrer desses dois dias, vimos mais umas 4 onças. Entre elas, o Wilson. Um macho de aproximadamente 7 anos e 110kg (informações coletadas pelo Projeto Panthera, que protege as onças da região). Avistamos Wilson numa bancada de areia. Ficamos mais de  2 horas observando cada movimento.  Wilson andou, deitou, foi até a beira do rio para beber água, nos proporcionando um espetáculo da natureza. Talvez uma das cenas mais incríveis que já assisti. Eram mais de 15 barcos ao redor e o barulho vinha apenas das máquinas e câmeras fotográficas. Ficamos por horas admirando e, talvez, agradecendo a natureza em silêncio. Eu estava.

Hoje, em especial, me lembrei desse dia. Pensei na onça Juma com dor e tristeza. Também senti raiva e indignação. Tive remorso da vez que nadei com um golfinho e de já ter me aproximado de animais selvagens em algumas situações. Acho que estamos, cada vez mais, invadindo o espaço desses animais e, “usando-os” em benefício próprio. Sem respeitar seu direito de liberdade.

Muitas vezes, como hoje, me sinto angustiada sem saber o porquê. Mas se pararmos para pensar que, sim, nós fazemos parte da natureza, é difícil não sentir tristeza com tamanha crueldade. Até quando seremos tão egoístas e mesquinhos? É esse o mundo que queremos viver? É justo os animais serem punidos por atos humanos inconsequentes? Somos parte da natureza e devemos tratá-la com muito respeito.

Hoje o mundo todo sabe como nós, brasileiros, tratamos nossos animais. Sinto vergonha. Sinto ódio e muita tristeza. Hoje, Juma, meu amor é todo seu. Descanse em paz.

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Transformando vidas

Por meio desse lindo relato, minha parceira de profissão Ju Didiano, foi premiada com uma viagem para Cartagena – Colômbia, onde acontecerá o 41° WSAVA, Congresso de Medicina Veterinária.
Ju, muito orgulho e admiração por você.  Histórias como essas são os verdadeiros presentes da vida e ser sorteada foi um reconhecimento da sua dedicação e amor. Parabéns, Ju ❤

Ju_Jully

“No dia 20/03/13 por volta das 19:30, já havia encerrado o atendimento da clínica quando nossa recepcionista me chamou dizendo que havia chegado uma emergência: uma cachorrinha atropelada.
Imediatamente pedi para o proprietário entrar na sala de atendimento para que eu pudesse examiná-la.
Ao começar o atendimento emergencial pude ver uma grande e dolorosa fratura exposta em membro anterior esquerdo. Podia sentir sua dor naquele momento. Imediatamente apliquei medicações para controle da dor.
Após medicá-la conversei com o proprietário que teríamos que submetê-la a uma anestesia geral para redução da fratura, assepsia da ferida e imobilização do membro.
Fiquei com a pequena Jully em nosso centro cirúrgico por longas 2 horas, reconstruindo cada pedacinho de seu membro. A lesão foi extensa, com ruptura de músculos, tendões e fratura completa de rádio e ulna.

 

Após finalização do procedimento, a pequena Jully foi liberada, com a fratura estabilizada, medicada e com as devidas medicações prescritas e doadas por nós, pois o proprietário apresentava restrições financeiras.
Foi solicitado que o proprietário fizesse uma radiografia do membro no dia seguinte, e retornasse em nossa clínica pra reavaliação.
Para nossa surpresa, o proprietário não voltou no dia seguinte, voltou somente 2 dias depois, com a radiografia e com a Jully com o seu membro extremamente edemaciado. O proprietário chegou em nossa clínica reclamando da cachorra, que tinha que trabalhar, que não tinha tempo para cuidar e administrar os medicamentos prescritos à Jully. Fiquei muito triste, decepcionada e brava por todo discurso do proprietário.
Deixei o proprietário desabafar tudo que precisava, fiz as medicações que a Jully precisava receber, examinei cautelosamente as radiografias, e inesperadamente, fiz uma proposta ao proprietário: que doasse a Jully para mim, eu iria cuidar da pequena, e assim que estivesse recuperada, iria encontrar uma nova família para ela. Ele nem titubeou, respondeu prontamente que aceitava, e que mais tarde nos traria as medicações que ela estava tomando. Fiquei triste por uma lado: ela havia sido abandonada pelo seu dono, mas feliz por outro: teria perspectiva de encontrar uma família digna de sua companhia e carinho.
A Jully ficou em nossa clínica por cerca de 2 meses, recebendo todo tratamento, curativos e cuidados necessários para sua recuperação. Durante este período muitos clientes a viam circulando pela clínica, mas uma pessoa em especial, a querida cliente Jussara, proprietária de nosso paciente Kiko, já estava cultivando esta pequena semente de futura dona. Um dia me perguntou se a Jully seria doada, que ela estaria interessada em adotá-la, para fazer companhia à sua mãe, uma senhora idosa que morava sozinha. Achei perfeito esta possibilidade de adoção!!!
Nos comprometemos a doá-la castrada e vacinada. E assim, após consolidação da fratura, castração e vacinação a pequena Jully encontrou sua nova família. Foi emocionante saber que existem muitas pessoas dispostas a doar seu carinho e amor a um animal abandonado.
Anualmente a Jully nos visita para as vacinas, e em todas as vezes, ela sempre vem correndo para nossa sala, quando nos vê pula, pula, pula muito, como se fizesse 10 anos que não nos víssemos.
Assim termina nossa história de transformação de vida: uma cachorrinha atropelada e abandonada, mas com nossa ajuda, conseguiu ficar com o membro completamente recuperado, sem sequelas, e com uma família nova.”

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A certeza de que nada é por acaso

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Milly

Não acredito em acaso e algo muito especial aconteceu para comprovar que tudo tem um propósito.

Em 2 de janeiro, após um exaustivo sábado de plantão, descobri que minha tão desejada folga no dia seguinte não aconteceria. Devido uma pequena confusão de datas minha plantonista não havia se programado para ir. Como estava muito cansada fiquei chateada por ter que trabalhar. Um tempo depois ela disse que poderia ir, mas eu já havia me programado mentalmente para o plantão. Pensei que teria uma razão para eu ir trabalhar.

Entre alguns pacientes, atendi Milly. A pequena Poodle de 17 anos chegou no colo de seu tutor. Fiz o pronto atendimento e alguns procedimentos e devido à gravidade do caso, a encaminhei a para internação. O proprietário da Milly demonstrou confiança imediata, não questionou nada que fiz e sugeri. Demonstrou, o tempo todo, que sua única preocupação era o bem estar da Milly. Ao final da consulta, agradeceu e disse: “Que bom que você estava aqui.” Embora não tenha proporcionado o conforto imediato da pequena, ele reconheceu que fiz tudo o que estava a meu alcance com amor. E essa é uma das maiores recompensas. O reconhecimento do nosso trabalho não só pelo resultado, mas por nossa dedicação. Então contei a ele que na verdade não deveria estar de plantão, mas descobri que pela Milly eu deveria, sim, estar lá.

Após um dia de internação eles retornaram à clínica. Quarta-feira, 6 de janeiro. Embora o problema que levou Milly até minha clínica tivesse se resolvido, muitas outras coisas impediam que seu corpinho de 17 anos exercessem suas funções normais. Muito otimista que sou, mas também realista, disse que não esperava uma grande melhora e combinamos de nos ver em cinco dias. Caso a pequena demonstrasse sofrimento e/ou piora, que a trouxesse antes.

Sexta-feira, 8 de janeiro, eles retornaram. Antes da data programada. Mau sinal. Esse foi um entre outros momentos difíceis da minha profissão. Decidir, junto aos seus tutores, o que seria melhor para Milly. Nunca é fácil. E, embora não tenha obrigação de fazer algo que realmente me machuca, meu objetivo é sempre proporcionar conforto e bem estar aos animais que passam por minhas mãos. E se o melhor que posso proporcionar é a boa morte, não posso fugir.

Quando há dúvida costumo elaborar perguntas a mim mesmo e aos proprietários para, juntos, conseguirmos decidir. Milly já não interagia com as pessoas da casa de nenhuma maneira, não andava, não se alimentava, apresentava dor e começou a vocalizar isso nos últimos dias. Infelizmente não tive a chance de conhecer a Milly de verdade, pois desde que a conheci apenas uma parte dela estava presente. E mesmo num momento tão triste, senti muita gratidão pelos tutores depositarem tanta confiança em meu trabalho. Antes de sair o proprietário me agradeceu com muito carinho.

A Milly partiu em paz e amparada com muito amor. Essa eutanásia foi um ato de coragem e amor por parte dos proprietários. Nenhum animal merece sofrer. Eles são bons demais. Merecem amor e não dor.

E essa história não terminou.

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Jamille

Na semana seguinte fui atender minha paciente de acupuntura há um ano, a Jamille. Minha querida cliente Tati que a indicou e tenho um carinho enorme por toda a família Sakumoto. Durante a sessão o Thiago, seu tutor, disse que estavam muito tristes porque na semana anterior a mãe da Jamille tinha falecido. Depois de mencionar a idade e nome, com muita surpresa e emoção descobri que a pequena Milly era a mãe da minha amada Jamille!

Encarei isso como uma benção. Conhecer os tutores da Milly foi um presente. Num momento de perda e dor profunda de uma família que conviveu 17 anos com um ser tão amado, houve espaço para demonstrarem carinho e gratidão.

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Jamille

Muitas pessoas questionam a nós, veterinários, como conseguimos lidar com a morte, com o sofrimento e ter coragem de fazer uma eutanásia. Digo com absoluta certeza que é o amor que nos move. O amor pelos animais, os rabinhos abanando de alegria, as lambidas de carinho e a felicidade dos nossos amigos clientes quando conseguimos melhorar um pouquinho que seja a vida de seus melhores amigos. É o amor que nos dá coragem de enfrentar nossos medos. É o amor que me possibilita, todos os dias, lidar com situações que nem em sonho achava que conseguiria.

E além de amor de sobra, o que sinto é gratidão. Obrigada Milly, Maria Helena, Ervin e família. Obrigada Dani, Thiago e Jamille. Obrigada Tatti, Nino querido e Chico. Obrigada Cris, Vivi, Jully, Tommy e Emy. A família de vocês só me deu amor.

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